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A
Alfafa
[Medicago sativa)
continua mantendo-se com o
título de rainhas das forrageiras. Outros cultivos de espécies
da mesma família das leguminosas podem ser tentados para
substituí-la, mas a preferência mundial pela Alfafa é
praticamente absoluta entre os criadores de cavalos.
Originária do sudoeste da Ásia, seguiu o curso da cultura
persa (Pérsia, hoje Irã), expandindo-se, posteriormente, a
toda Europa. A América foi trazida pelos espanhóis, primeiro
ao México, depois Chile e Peru e, posteriormente, à Argentina
e Estados Unidos.
O nome Alfafa é de origem
árabe, etimologicamente, significa "melhor pastagem". Sua
importância registra-se pela alta produtividade, elevado teor
protéico, excelente valor biológico, riqueza em vitaminas como
tiamina, cianina, riboflavina, ácido pantotênico e,
fundamentalmente, caroteno associados a uma elevada
concentração de sais minerais. Há de se destacar também a
presença de fatores não identificados, de ação positiva na
nutrição animal, observados em experiências comparativas de
alimentação.
A
Alfafa é uma leguminosa perene, cuja raiz pode atingir mais de
12 metros de profundidade em solos favoráveis. Os talos são
eretos e herbáceos, as folhas apresentam três folíolos ovais,
com ápice dentado. As flores são pequenas, de coloração
violácea, e as sementes pequenas e reniformes, geralmente de
cor amarela-esverdeada. Existem inúmeras variedades de Alfafa,
provenientes de diferentes países, todas adaptadas às
condições climáticas dos lugares de origem. Após estudos de
adaptação de 24 variedades, realizados no Posto de Fomento
Luís Oliveira de Barros, do Jockey Club de São Paulo, e das
numerosas introduções em diferentes regiões do Estado, os
melhores resultados foram obtidos com o cultivar "crioula",
originário do Rio Grande do Sul.
A
Alfafa apresenta uma alta adaptação climática - desde climas
frios até muito quentes -, se bem que o clima mais favorável
seja o temperado. E, além disso, adapta-se a altitudes
extremas - do nível do mar a altos vales. Em regiões chuvosas,
quentes e de elevada umidade relativa do ar, seu crescimento é
prejudicado devido à incidência de enfermidades.
Como
plantar:
Boa
parte do êxito no estabelecimento da cultura de Alfafa depende
da seleção da área para a implantação e da preparação adequada
do solo. Requer solos férteis, bem drenados, arejados e
profundos (devido às características do sistema radicular),
sem impedimentos - como casca-lhos, pedras ou camadas
argilosas compactadas - à penetração. E desaconselhável,
também, a presença de
mapas
freáticas superficiais e
solos com declives acentuados. Em relação ao pH (acidez) e
nutrientes, a Alfafa não tolera solos ácidos. O solo ideal
deve ter um pH próximo ao neutro (7), com elevados teores de
matéria orgânica, fósforo, potássio, cálcio e micronutrientes
como boro, enxofre, ferro e molibdênio.
A preparação do solo deve ser esmerada, a fim de se conseguir
uma boa cama de semeadura, destorroada e firme, livre de
sementeiras de ervas daninhas (uma das principais limitações
da cultura). Os trabalhos de aração, gradeação, aplicação de
corretivos e fertilizantes, assim como a incorporação de
matéria orgânica, na forma de adubação verde ou estéreos
curtidos, variam de acordo com as características físicas do
solo (argiloso-arenoso) e das condições químicas (teor de
nutrientes e acidez). Em solos argilosos a porosidade e
profundidade podem ser melhoradas mediante arações profundas,
subsolagens e a incorporação de estéreo curtido, à razão de 20
a 40 toneladas por ha, com consideráveis melhorias nas
condições físico-biológicas do solo. Em solos arenosos, os
trabalhos de preparação devem ser orientados para proteção
contra erosão, melhorando-os estruturalmente com aplicações da
matéria orgânica, para uma maior agregação de suas partículas.
Os plantios podem ser realizados em duas épocas do ano: outono
e primavera. O plantio de outono (março-abril) tem como
vantagem principal a ausência de plantas invasoras que
competem intensamente com a cultura em estabelecimento.
Nessa
época de plantio, a irrigação artificial é de fundamental
importância. O plantio de primavera (setembro-outubro) permite
um estabelecimento mais rápido da cultura, mas com maiores
problemas em relação às plantas invasoras, de mais difícil
controle (herbicidas pré-plantio têm colaborado efetivamente
para minimizar estes problemas). Outro fator contrário é a
possibilidade de perda de sementes e da própria cultura por
fortes chuvas.
Em todos os
casos, deve-se utilizar sementes de alto valor cultural e
poder germinativo, livres de impurezas e, dentro do possível,
com atestado de ausência de "cuscuta"
(parasita afila).
As boas sementes são
amarelas-esverdeadas; as esbranquiçadas demonstram colheitas
imaturas e, as escuras,
sementes velhas ou mal-conservadas. A boa qualidade da semente
é fator primordial para o êxito da cultura.
Antes do
plantio deve-se realizar a inoculação da semente com bactérias
radicícola,
microorganismos que se alojam na raiz. Este processo leva à
constituição de nódulos que, quando em atividade, apresentam
um interior de coloração rosada, devido à
leghemoglobina.
A coloração branca
determina inatividade. Fixando gás carbônico do ar e água, as leguminosas
convertem-se em carboidratos através da fotossíntese. Estes
carboidratos se deslocam das folhas aos nódulos, onde servem
como fonte de energia para a bactéria, que fixa nitrogênio do
ar e o cede à leguminosa. O processo de inoculação consiste em
umedecer a semente com água açucarada,
leite ou solução de goma
arábica a 10%
para
servir de aderente às bactérias. As sementes devem ser muito
bem misturadas ao inoculante e depois secas na sombra.
A
semeadura pode ser realizada de forma manual ou mecânica. Em
ambos os casos pode ser a lanço
ou em linha. O primeiro consiste em espalhar as sementes em
toda a superfície do solo, cobrindo-as com uma fina camada de
terra. Este sistema requer uma maior quantidade de sementes e
tem, infelizmente, como principal característica a
impossibilidade de um controle eficaz das ervas
daninhas. A longevidade
das culturas implantadas neste sistema é menor. Já os plantios em linhas,
quando feitos a mão, são realizados utilizando-se garrafas que
contêm, nas rolhas, um
tubinho regulado para a saída de oito a dez gramas de sementes
a cada 10 metros lineares, em sulcos rasos e de no máximo 5 cm
de profundidade. As linhas devem manter uma distância entre 30
a 40 cm, para permitir melhor tratamento de limpeza. Após a
semeadura deve-se cobrir as sementes com uma fina camada de
terra.
O plantio poderá ser realizado também por
semeadeiras-adubadeiras, providas de unidade sulcadora e
tambor de sementes, podendo regular-se a distância entre
sulcos, densidade de sementes e profundidade, chegando a
trabalhar com oito unidades plantadeiras ao mesmo tempo. Esta
semeadeira é do tipo Brillon ou Stanhay, ambas importadas.
Normalmente, a densidade para plantios a lanço é de 40 a 50 kg
de sementes por ha, enquanto para os em linhas, utilizam-se de
25 a 30 kg de sementes por ha, quantidade dependente da
qualidade das sementes. Depois de cinco a sete dias
verifica-se a germinação com a saída das primeiras folhas.
Durante todo este período, o solo deve ser conservado úmido,
porém sem encharcar.
O primeiro e realmente o mais sério problema que surge na
plantação de alfafa é a invasão de plantas indesejáveis,
devendo-se manter rigorosa vigilância e procurando eliminar-se
qualquer surgimento de ervas daninhas. Decorrido um mês do
plantio, com as linhas bem definidas, realiza-se a primeira
capina, com dois objetivos fundamentais - eliminação
de plantas invasoras e
delimitação das linhas do cultivo. Neste caso, todas as
plantinhas de Alfafa nascidas nas entrelinhas também serão
eliminadas. Com o transcorrer do desenvolvimento, outras
capinas serão necessárias para manter a cultura limpa,
sobretudo após os cortes, onde a área recebe luz suficiente
para estimular o crescimento de invasoras latentes, que são
sempre uma grande ameaça à comunidade. Nessa ocasião é
indispensável um acompanhamento para assinalar o surgimento do
mato mais precoce e combatê-lo (áreas pequenas, capinas
manuais, para áreas de produção comercial, herbicidas
seletivos e enxadas rotativas múltiplas).
É
muito importante, também, que se normalizem as fertilizações
de reposição, com o objetivo de devolver ao solo o exportado
nos cortes, seja como feno ou verde. As fertilizações e
adubações orgânicas devem ser feitas a cada dois cortes,
seguindo as recomendações de adubações obtidas a partir de
análise do solo. Anualmente, devem ser tiradas amostras de
terras a fim de orientar novas fertilizações ou correções de
pH, alumínio, macro e micronutrientes.
Dependendo da época de plantio, e das condições climáticas no
período de desenvolvimento, a Alfafa demora de 90 a 120 dias
até o primeiro corte; posteriormente o ciclo varia de 25 a 35
dias, diminuindo na primavera e no verão e incrementando-se no
outono e inverno. O corte deve ser realizado quando o alfafal
alcançar um terço das plantas floridas. Esta condição indica
que as plantas acumularam as reservas necessárias para nova
brotação. Obten-se, então, uma forragem tenra, com pouca
fibra, rica em substâncias nutritivas e de alta
digestibilidade.
Cortada antes da floração, terá muito conteúdo de água e a
rebrota será mais lenta. Se ultrapassar o período da floração,
o conteúdo de fibras será maior e o valor nutritivo menor,
obtendo-se menor número de cortes por ano. A altura do corte é
da maior importância, devendo ser feito um pouco acima do colo
(espaço entre a raiz e o caule) da planta ou zona de
brotação, geralmente a 5cm do nível do solo. O corte
realiza-se com alfanje ou com ceifadeira mecânica, segundo o
tamanho da cultura.
Fenação,
um ponto importante:

O feno é a transformação do pasto verde em pasto dessecado,
devendo manter o máximo de suas qualidades originais como cor,
perfume, maciez, palatabilidade e princípios nutritivos. A
cultura deve ser cortada após levantado o orvalho. Algumas
horas depois de cortada, a massa começa a murchar,
iniciando-se o processo de desidratação, em maior proporção
nas folhas que no talo, devendo-se ter o cuidado para que,
durante o processo, não haja queda de folhas, já que esta é a
parte mais nutritiva da planta. Pode-se fazer a fenação ao
sol, cortando-se a Alfafa e deixando-a murchar
superficialmente; depois deve-se virar a massa para que a
parte inferior acompanhe a desidratação. Após algumas horas,
dependendo do sol, umidade relativa e ventos, a Alfafa será
amontoada para continuar a secar mais lentamente, devendo ser
revirada de tempo em tempo, a fim de se conseguir uma secagem
mais uniforme. No dia seguinte, os montes ou leiras devem ser
espalhados para receber algumas horas de sol. A seguir
constrói-se montes maiores para continuar a secar, até
alcançar o "ponto" de feno que é marcado pelo odor e pela
coloração característica, aos quais o operador logo se
habituará. Para isso, pega-se um pouco de Alfafa e torcer o
máximo possível. Não surgindo umidade ou quebra, o ponto de
feno foi alcançado e o material com cerca de 14 a 16% de
umidade está em condições de ser enfardado ou armazenado para
consumo. Também pode-se fazer a fenação à sombra. Depois do
corte, deixa-a tomar um dia de sol e, então, recolhe-a num
galpão, espalhando-se a massa cortada em estrados de madeira.
As camadas não devem ser superiores a 50cm para evitar
aquecimentos e perdas por fermentação. De tempo em tempo, a
massa deve ser revirada com garfos para uma secagem uniforme.
Após cinco ou seis dias, dependendo das condições climáticas,
chega-se ao ponto de feno, detectável como no caso anterior
ou, ainda, por outro método prático, que consiste em tentar
descascar com a unha uma haste da planta. Se não conseguir,
estará pronto o feno.
A
segadeira condicionadora possui atrás de sua barra de corte
dois rolos de borrachas reguláveis que recebem o material
cortado, espremendo-o. Estes rolos esmagam a haste, ficando
assim o centro medular aberto. Isto facilita a velocidade de
desidratação por ação direta do sol e do ar, reduzindo o tempo
de fenação em até uma terça parte. São processos que auxiliam
a fenação, principalmente em épocas de chuvas. No caso das
desidratadoras, a vantagem é o aproveitamento total do
material cortado, porém a viabilidade é questionada por serem
processos de alto custo.
O
grande valor de possuir a cultura no estabelecimento é a
possibilidade de realizar-se cortes verdes diários,
oferecendo à alfafa um único estágio de maturidade,
favorecendo os trabalhos e diminuindo os custos.
De acordo com o número de animais e da quantidade a
ministrar-se a cada categoria animal, estima-se a necessidade
a ser cortada por meio do cálculo de produção por metro
quadrado. Este cálculo definirá o número de linhas a serem
cortadas para alcançar a quantidade necessária. Outro sistema
é dividir o número de linhas por 30 dias, cortando o valor de
linhas resultantes e distribuindo a produção pelo número de
animais, seguindo ordens prioritárias de categorias.
Quando a alfafa alcançar 1/3 de floração, as linhas serão
cortadas com alfanje, roçadeira costal, faca, tesoura, etc, a
5cm de altura e, logo depois, o material é recolhido em montes
e retirado da parcela. A seguir realiza-se a capina de limpeza
e afofamento da terra nas entrelinhas. Depois, aplica-se uma
camada de estéreo ou composto curtido em toda superfície e, a
cada dois cortes, será adicionado uma aplicação parcial de
fertilizantes químicos, a fim de restituir-se os nutrientes
exportados no verde. A irrigação seguirá os critérios de
necessidades. Todas as tarefas de conservação e produção de
alfafa podem ser realizadas por uma pessoa encarregada dos
cuidados e dos cortes. A seqüência de trabalho é a que segue:
corte, amontoado, capinação, adubação e irrigação, tarefas
dentro das possibilidades diárias de trabalho. Após um mês de
corte, haverá um escalonamento de produção, com linhas
recém-cortadas e linhas em floração, próximas ao corte.
A
duração de um alfafal estará em relação direta aos trabalhos
de implantação e cuidados posteriores. Em solos profundos e
ricos em elementos minerais, a média de vida é dez a 12 anos.
Já em solos rasos, com subsolo impermeável, a média é de
quatro a seis anos. Em algumas regiões com condições
excepcionais para a cultura encontram-se plantios com mais de
60 anos.
A
produção também apresenta variações dependentes das condições
de clima, solo e manejo. No estado de São Paulo, pode-se
considerar um número de sete a dez cortes anuais como um
rendimento regular 15t. M.s/ha/ ano; bom, 25t. M.s/ha/ano;
ótimo, 301.
M.s/ha/ano (M.s.=matéria seca)..
Especial atenção deverá ser dada ao alfafal, no que se refere
à sua sanidade. Qualquer ocorrência estranha deverá ser
comunicada ao Agrônomo, ou ao órgão de defesa (Instituto
Biológico de São Paulo). Com certa regularidade, o encarregado
percorrerá a área para inspecionar o aspecto da cultura e
assinalar eventuais ocorrências estranhas como áreas
amareladas ou murchas, ataques de pragas etc...
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