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Arborização: Harmonia e Beleza

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

      Normalmente, se estuda o projeto de arborização ao mes­mo tempo em que se realiza o planejamento total do haras, com influência decisiva em fatores como divisão de piquetes, localização das vias de circulação (comprimento e largura), posicionamento das construções, passagem da rede de energia elétrica, iluminação, etc.

          Este estudo tem como objetivo possibilitar a implantação de um esquema de arborização, levando-se em consideração que todos os elementos arquitetônicos encontram-se definidos. Entre os trabalhos prelimina­res, realiza-se um levantamento das espécies arbóreas (significativas) existentes no local, para posterior aproveitamento, transporte ou eliminação, visando-se obter uma nova unidade paisagística.

          Neste capítulo, vocês vão conhecer alguns critérios para a seleção das variedades de árvores; o manejo necessário durante o plantio - da escolha do local à adubação, ao tutoramento e à poda das mudas - além de uma análise das principais doenças e pragas que as atacam, com dicas sobre o tratamento adequado.

 

Além do bonito visual, as árvores garantem

sombra e proteção contra os ventos

 

 

Critérios para seleção das variedades:

          As espécies a implantar deverão ser selecionadas tendo em vista três aspectos fundamentais. O primeiro deles é a limitação do espaço:

          Considerando-se o tamanho dos piquetes, prevê-se uma implantação contínua fora dos mesmos, para que as árvores não constituam fator de acidentes e permitam o livre trânsito dos animais. A implantação na região periférica encontra como principal obstáculo a distância necessária entre o plantio da árvore e a cerca, visto que a aproximação inadequada planta/cerca faz com que a planta seja afetada pelos animais.

          O segundo fator a ser considerado é que a planta deverá estar livre de qualquer componente tóxico ( nas folhas, flores, frutos etc.) e de raízes superficiais (risco de acidente). O terceiro e último aspecto são as características ecológicas: A seleção das variedades deve ser em função das condições de adaptação climática e a cobertura de requisitos como, quebra ventos, sombreamento, oxigenação e valor estético e visual.

 

Plantio - tratos culturais:

          O local deverá ser marcado com estacas de bambu. Após a marcação serão abertas as covas de plantio, usando-se para isto o trator com a broca. A medida será de 50 x 50 cm.

          A terra superficial deverá ser retirada e colocada separadamente da terra de profundidade; essa será substituída por terra de boa qualidade e conveniente­mente adubada. As covas deverão ser abertas com suficiente antecipação a fim de permitir uma boa aeração das paredes da cova, e acumulação de água de chuva.

     Adubação - A terra de cada cova terá que receber uma adubação de 1/3 de estéreo bem curtido.           Dever-se-á utilizar na hora do plantio uma mistura fertilizante, composta por 100 gramas de Superfosfato simples, 100 gramas de Fosfato de rocha e 50 gramas de Cloreto de potássio

          Recomenda-se 40 dias após o plantio, a aplicação de 20 gramas de Nitrocálcio por planta, ao redor e longe do tronco, seguindo a projeção da coroa. No que se refere à adubação de restituição, anual­mente em períodos precedentes às épocas chuvosas, deve-se aplicar por cobertura adubos químicos de N.P.K. na formulação 10-10-10, na seguinte dosagem: 900 gramas/árvore. Concluída a esparramação recomenda-se uma incorporação mediante escarificação do solo.

 

Plantio, tutoramento e poda:

          Cada muda plantada deverá ser tutorada com uma estaca de altura conveniente, e amarrada com barbante para assegurar um crescimento reto, impedindo a ação desfavorável do vento. Logo após o plantio, deve-se realizar uma poda de limpeza para eliminar ramos e folhas secas, tendo em vista orientar seu crescimento nas direções e formas desejadas. A retirada da vegetação invasora, bem como a escarificação do solo por volta das covas serão efetuadas mensalmente.

         Coroamento - Após o plantio serão feitas coroas em volta de cada planta, a fim de facilitar a acumulação da umidade proveniente das chuvas. Para maior conservação da umidade aconselha-se a cobertura das covas com palha ou capim seco.

         Irrigação - No momento do plantio, as árvores deverão ser molhadas para assegurar o pegamento inicial. No caso de após o plantio aparecerem períodos de seca prolongada, aconselha-se a irrigação das mesmas.

 

 

 

 

Espécies Selecionadas para arborização
          São implantadas diversas variedades e espécies, as quais localizam-se dentro do haras, marcadas em planta paisagística, o que dará um aspecto visual agradável, sendo assim classificadas:

 

 

 

 

 

 

 

■     DELONIX REGIA - Flamboyant: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores vermelhas ou alaranjadas, de outubro a dezembro.

 

 

 

 

 

 

O Flamboyant é uma das espécies preferidas pelos haras.

 

 

      SALIX BABYLONICA - Chorão: Porte médio, desenvolvimento rápido, ramos pendentes.

 

 

     JACARANDA MIMOSAEFOLIA - Jacarandá mimoso: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores azul, de setembro a novembro.

 

     SAPATODEA CAMPANULATA - Espatodea: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores vermelhas em dezembro e abril.

 

  HYMENAEA STUGNOCARPA - Jatobá: Porte grande, desenvolvimento médio, floração em setembro/novembro.

 

     BAUHINEA PURPUREA - Unha de vaca roxa: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores roxas, em junho a agosto.

 

 

 

 

 

 

     CAESALPINEA PELTOPHOS - ROIDES Sibipiruna: Da família das leguminosas árvore de grande porte, crescimento rápido, flores amarelas/marrom, floresce em setembro-outubro, frutifica em novembro, e tem a copa de forma arredondada.

 

 

 

 

 

Sibipiruna: Crescimento rápido

 

 

     BAUHINEA VARIEGATA - var. cândida - Unha de vaca branca: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores brancas, em julho a outubro.

 

     BAUHINEA VARIEGATA - Unha de vaca lilás/branca: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores lilás ou branca, em março a junho.

 

     BAUHINEA BLACKEANA - Arvore da orquídea: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores roxa em abril a julho, flores semelhantes a orquídeas.

 

     CÁSSIA MULTIJUGA - Cássia aleluia: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores amarelas em fevereiro a maio.

 

     CÁSSIA FISTULA - Chuva de ouro: Porte médio, desenvolvimento rápido, flores amarelas e abundantes em fevereiro a maio.

 

     CÁSSIA JAVANICA - Cássia rosa: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores rosa em outubro a dezembro.

 

 

 

 

 

 

 

 

    CAESALPINEA ECHINATA - Pau brasil: Porte grande, desenvolvimento lento, flores amarelas e perfumadas em setembro a outubro; madeira de lei vermelha.

 

 

 

 

 

 

 

 

Pau Brasil: flores e perfume.

 

 

     ERYTHRINA FALCATA - Eritrina: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores alaranjadas em junho a setembro.

 

     MYRCIARIA JABUTICABA - Jaboticabeira: Porte grande, desenvolvimento lento, frutífera.

 

     FlCUS BENJAMINA - Ficus: Porte grande, desenvolvimento rápido, folhagem brilhante ornamental.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     CAESALPINEA LEITOSACHYA - Pau ferro: Da família das leguminosas, porte grande, descasca o tronco que é muito ornamental, liso, manchado de branco, flores amarelas no verão, folhagem não muito densa e muito elegante.

 

 

 

 

 

 

Pau Ferro: Ornamento.

 

 

     ERYTHRINA CRISTAGALLI - Eritrina: Porte grande, desenvolvimento rápido, flores vermelhas em junho a setembro.

 

     ERYTHRINA VELUTINA - Molungu: Por­te médio, desenvolvimento rápido, flores alaranjadas, em junho e outubro.

 

 

 

Principais doenças:

          Uma planta estará doente quando apresentar qualquer alteração e no caso especifico de doenças evidenciar a ocorrência de sintomas que irão indicar a causa de sua anormalidade. Dessa forma poderá se colocar em grifo os principais sintomas de doenças:

    Murcha - É o estado plácido da planta, geralmente devido a distúrbios patológicos. As células das folhas, pecíolos e haste de tecido suculentos perdem água devido às dificuldades no seu fornecimento. A Murcha é um sintoma específico de muitas moléstias causadas por fungos. Pode ser causada também por apodrecimento das raízes, na base da haste por amarelecimento, e seca dos ramos. Pode levar a planta à morte. Na prática, o controle é bastante difícil, sendo recomendável substituir a planta doente.

   Galha - E o desenvolvimento anormal de um órgão, ou parte dele, devido à multiplicação desordenada das lulas em seu desenvolvimento. Ocorre tanto em órgãos tenros como em raízes ou órgãos lenhosos. São comuns as galhas produzidas por nematóides nas raízes de várias plantas e, menos freqüente, as causadas por fungos e bactérias nos demais órgãos.

   Oídio - São manchas claras, esbranquiçadas, mais ou menos arredondadas, com aspecto pulverulento em ambas as páginas da folha, nas hastes e botões florais. São causadas geralmente por fungos e bactérias.

  Míldio - Manchas pardas, irregulares, recobertas na página inferior por lanugem branca. As folhas amarelecem e caem. São agentes causadores os fungos e as bactérias.

   Merrugem - Pequenas pústulas, sobre folhas e ramos, de cor amarela ou marrom e circundadas por uma área amarelada. A ferrugem aparece na maioria das plantas ornamentais, causando grandes problemas em locais de temperaturas amenas e de alta umidade. Tem como agente causador determinados fungos. O controle das doenças é feito preventivamente. A medida mais recomendada é fazer aplicação de fungicida à base de cobre, como Comprantol, Cupravit, Cuprosan, Cobre Sandoz, Vitrigan e outros, ou à base de Meneb, como Manzate D, Dithane M-45, etc... Há, entretanto, agentes de doenças que não são controlados por esses produtos, necessitando de um controle específico. E o caso dos fungos causadores de Oídio, AAíl-dio e Mancha. Nestes casos, há a necessidade de se saber em que condições ocorrem essas doenças, para que se façam as pulverizações.

 

Pragas:

          As plantas, em geral, são muito prejudicadas pelos constantes ataques de pragas e de predadores. Dentre estes agentes, destacam-se principalmente:

   Pulgões - Insetos sugadores, extremamente daninhos, por provocarem a sucção contínua da seiva e por transmitirem doenças de origem virótica das quais são os principais vetores. São altamente proliferas e de difícil disseminação. As plantas apresentam-se com suas folhas novas "encarquilhadas", o que pode levá-las à morte, já que as enormes colônias de insetos retiram grande quantidade de seiva elaborada. Os pedúnculos florais e os brotos em geral são as partes mais atacadas. O controle é feito pela aplicação de Malathion 500CE Metasystox CE ou outro organofosforado sistêmico.

   Cochonilhas - Insetos providos ou não de carapaça. Provocam o depauperamento, oriundo da sucção da seiva. Entretanto, os danos causados não se limitam aos resultados da sucção. Por ocasião dos ataques de pulgões sobre as excreções desses insetos, cresce um fungo conhecido como fumagina, semelhante a uma fuligem, sobre as folhas atacadas, impedindo os processos normais de trocas do vegetal, podendo condicionar à morte o órgão atacado. O controle é feito pela aplicação de óleo mineral miscível, de concentração em torno de 1 a 5%, devendo-se no verão aplicar a concentração mais baixa. Para controlar simultaneamente os pulgões que aparecem, pode-se associar  ao óleo mineral um inseticida  organofosforado como o  Malathion, etc...

   Tripés - De tamanho muito  reduzido e bastante ligeiro, provocam grande perda da seiva vegetal, por sucção. E comum o aparecimento de manchas prateadas sobre as folhas. Os botões florais e brotos de planta ficam atrofiados em seu crescimento. O controle é feito pela aplicação dos produtos Malathion, Metasystox, Ekatim, etc...

   Besouros - Também conhecidos por "vaquinhas", aparecem depredando as flores das plantas, e em pouco tempo ocasionam danos muito grandes devido à voracidade do ataque da praga. O controle é feito com Sevin, Malathion, etc...

   Percevejos - Insetos bem conhecidos, principalmente em espécies floríferas volumosas. O ataque desta pra­ga provoca o aparecimento de manchas circulares escuras. Além de sugar a seiva, os percevejos injetam substâncias tóxicas ao vegetal, provocando reações da planta que culminam com a queda da parte atacada. O controle é feito pela aplicação de inseticidas piretróides.

   Lagartas - Em sua maioria, de hábito noturno, atacam as folhas das plantas, devorando seus brotos. Existem vários tipos de lagartas, sendo algumas polífagas. O controle deve ser iniciado assim que forem notadas as primeiras lagartas ou as primeiras folhas com bordas devoradas. São recomendados os seguintes produtos: Malathion, Sevin, Decis 25 CE etc...

   Cupins - Algumas espécies cortam as raízes de quase todas as plantas. O controle é feito pela aplicação de Landrin pó (organoclorado).

     Saúva - Insetos muito prejudiciais, cortadores principalmente de folhas e partes florais. Para o controle e combate mais eficaz dessa espécie de formiga, empregam-se iscas granuladas "Mirex" em tempo ensolarado, ou, em dias úmidos, formicidas em pó, diretamente no "olheiro", através de bombas especiais.

  Ácaros - Algumas espécies, visíveis a olho nu, são facilmente reconhecidas. Dão preferência pela depredação das folhas tenras dos brotos apicais, raspando a epiderme inferior. As plantas atacadas adquirem coloração variável conforme a espécie que as ataca. O controle é feito pela aplicação de Enxofre a 40%, Clorobenzilato 500CE, Kelthane CE etc...

   Tatuzinho - São pequenos crustáceos que vivem em lugares úmidos e escuros. Os ataques são verificados mesmo antes de as plantinhas aflorarem à superfície do solo, geralmente em sementeiras. O controle é feito com iscas granuladas.

   Lesmas e caracóis - Alimentam-se de tecidos novos das plantas floríferas. Seu combate é feito mediante o uso de Me-taldeído a 5%, iscas granuladas, etc.

    Nematóides - São vermes microscópicos que atacam as raízes das plantas, provocam "galhas" levando-as à morte. Seu combate é feito com a aplicação de nematicida específico, e apenas em pequenas áreas. Sua ocorrência é rara.

 

 

 

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