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Compostos Orgânicos

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

 

       A matéria orgânica do solo tem papel primordial na manutenção de sua fertilidade e produtividade. Atuando como agregadora das partículas do solo, ela promove uma melhor estrutura, aeração e drenagem, sanando problemas como compactação de solos pesados (argilosos) e desagregação de solos muito leves (arenosos) entre outros.

      Age ainda juntamente com as argilas como reservatório potencial de nutrientes e água para as plantas, com liberação gradual e equilibrada, evitando as perdas por lixiviação e insolubilização dos nutrientes adicionais, evitando assim a causa primária da erosão dos solos agricultáveis. Constitui-se no palco de vida nos solos suportando enormes populações de animais inferiores e microorganismos que solubilizam nutrientes minerais inacessíveis às plantas. Revolvem a camada arável do solo, promovendo uma melhor aeração e homogeneização das partes orgânica e mineral do solo, produzindo fatores de crescimento (auxinas) e antibióticos que controlam os microorganismos causadores de doenças nas plantas e, finalmente, transformam constantemente essa matéria orgânica em uma forma estável, o húmus, o mantenedor de todas as qualidades de um solo fértil e produtivo.

      O húmus é o estágio final da transformação da matéria orgânica no solo, responsável por todas as características desejáveis desta matéria orgânica.

      A adição de matéria orgânica bruta no solo demanda em períodos de até cinco anos para que esta seja transformada pelos microorganismos do solo neste estágio final. Quanto mais pobre em nitrogênio e rica em carbono for a matéria orgânica, mais demorada será a transformação, podendo até ser nociva em aplicação maciça e contínua.

       Assim, a compostagem surge como um método de aceleramento de transformação de toda e qualquer matéria orgânica produzida na propriedade, para ser então aplicada ao sob com grande vantagem e benefícios incalculáveis, uma vez que nos climas tropicais a matéria orgânica dos solos é rapidamente degradada, seja pelas condições ambientais, ou pelas colheitas, exigindo uma reposição constante para não privar mais o solo de seu principal fator de fertilidade e produtividade.

         MATERIAL - Qualquer material de origem vegetal pode ser utilizado: folhas, cascas de arroz e milho, sabugo, palhas, esterco (a cama de dejeção de animais constitui um material farto de boa qualidade, inclusive como solução para o aproveitamento deste material.

         MODO DE PREPARAR - A compostagem pode ser feita em camadas espalhadas diretamente no campo, o que exige o uso de inoculantes ou aceleradores de decomposição; ou pilhas, que é o melhor método quanto aos resultados finais obtidos.

       O primeiro processo consiste em esparramar a camada de matéria orgânica no solo, inocular e esperar a degradação para posterior incorporação.

       O segundo processo consiste em formar pilhas com os materiais disponíveis. A formação destas pilhas tem objetivo e características próprias. O objetivo é induzir uma fermentação aeróbica (com presença de ar) destes materiais cujos produtos finais são os desejáveis. Para isso deve-se seguir a metodologia seguinte:

a) Obter o maior número possível de materiais, de preferência uma boa quantidade de materiais verdes e esterco, os quais a propriedade tem em abundância (para um tempo menor de fermentação e produção final de melhor qualidade).

b)  Picar os materiais no menor tamanho possível, pois, quanto menor, menos será o tempo necessário para decomposição.

c)  Na construção das pilhas pode-se seguir dois procedimentos: Misturar todos os materiais e confeccionar montes, ou construí-los com camadas sucessivas dos diferentes materiais disponíveis.

d)  No preparo dos montes pode-se usar inoculantes para acelerar ainda mais o processo, misturando junto com os materiais ou entremeando a cada três ou quatro camadas. Esses inoculantes podem ser comerciais (Q.R., ou fermentos bacterianos).

         APROVEITAMENTO DAS CAMAS - No aproveitamento das camas dos eqüinos, devem ser usados de dois a seis quilogramas destas para as dejeções de um animal por dia, para uma boa fermentação.

       No caso de usar-se apenas cama como forragem, deve-se adicionar 5% de terra da superfície do solo e, no caso de esterco puro, este deve entrar apenas com 1/3 do material utiliza­do.

As pilhas de composto devem ter a forma aproximada de trapézio, com 2 a 3 metros de base maior, 1 metro de base menor e 1,5 metro de altura.

       O comprimento depende do local e quantidade de material disponível para a compostagem. Elas devem ser construídas da margem para o centro, em todas as camadas, para permanecer em equilíbrio sem desmontar.

       Todo o material deve ser molhado durante a composição. Deve ter um teor de umidade tal que, apertado entre as mãos, apenas algumas gotas saiam entre os dedos com palha seca para evitar o encharcamento com a chuva, e conservar a temperatura favorável ao desenvolvimento dos microorganismos dentro da pilha. Se estes procedimentos forem corretamente seguidos, a pilha deverá ser bem fofa e arejada, e dentro de um a três dias a temperatura se elevará devido ao rápido desenvolvimento dos microorganismos e conseqüente fermentação do material. A elevação da temperatura a aproximadamente 70°C se manterá por algumas semanas. Esta temperatura é desejável, pois promove a assepsia do material, eliminando microorganismos patogênicos e ovos de parasitas dos animais, sendo o produto final altamente higiênico. Depois, a temperatura volta ao normal, quando então abranda-se a fermentação e inicia-se o processo de humificação.

       A pilha não formará nenhum ponto preto, não desprenderá odores desagradáveis e nem apresentará mofos cinzentos.

       Caso alguns desses sinais apareça, deve-se revirar, umedecer e refazer toda a pilha, pois eles indicam fermentação anaeróbicas (ausência de ar) que são indesejáveis.

       A presença de minhocas é normal e altamente benéfica.

       No caso de a pilha ressecar demais, ou em estações muito quentes e secas, deve-se introduzir varas na pilha, retirará-las, e adicionar água nos orifícios deixados por estas. Aos 8 meses aproximadamente, os compostos sem inoculações serão amadurecidos. Nos inoculados, por volta de 2 meses aproximadamente.

       O composto maduro tem coloração marrom-escuro, cheiro agradável e estrutura esponjosa, tendo desaparecido folhas, talos, palhas e materiais grosseiros. A inoculação, a picagem e qualidade do material aliados à confecção correta da pilha são importantes para diminuir o tempo necessário para a transformação e qualidade final da compostagem

        APLICAÇÃO - Composto amadurecido pode ser aplicado de 15 a 35 toneladas por hectare, após o pasto ser cortado e espalhado sobre a superfície do terreno. Aplicações menores a intervalos pequenos têm melhor efeito do que aplicações maciças com longos intervalos.

        VANTAGENS - A matéria orgânica incorporada como compostos traz inúmeras vantagens tais como: no composto, a matéria orgânica já está em estágio avançado e desejável de decomposição que é o húmus, já plenamente ativo, o que a partir da matéria orgânica bruta iria necessitar um tempo muito grande no solo para acontecer.

       O composto estará totalmente asséptico e ainda este húmus trará um inóculo enorme de microorganismos e animais inferiores, ativando a vida do solo, além de um grande número de antibióticos, substanciais de crescimento, etc. Assim, o composto trará para o solo direta e indiretamente fatores importantes de manutenção de produtividade, com a produção de pastos abundantes e qualitativamente equilibrados para os animais.

 

 

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