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A
matéria orgânica do solo tem papel primordial na manutenção de
sua fertilidade e produtividade. Atuando como agregadora das
partículas do solo, ela promove uma melhor estrutura, aeração
e drenagem, sanando problemas como compactação de solos
pesados (argilosos) e desagregação de solos muito leves
(arenosos) entre outros.
Age ainda juntamente com as argilas como reservatório
potencial de nutrientes e água para as plantas, com liberação
gradual e equilibrada, evitando as perdas por lixiviação e
insolubilização dos nutrientes adicionais, evitando assim a
causa primária da erosão dos solos agricultáveis. Constitui-se
no palco de vida nos solos suportando enormes populações de
animais inferiores e microorganismos que solubilizam
nutrientes minerais inacessíveis às plantas. Revolvem a camada
arável do solo, promovendo uma melhor aeração e homogeneização
das partes orgânica e mineral do solo, produzindo fatores de
crescimento (auxinas) e antibióticos que controlam os
microorganismos causadores de doenças nas plantas e,
finalmente, transformam constantemente essa matéria orgânica
em uma forma estável, o húmus, o mantenedor de todas as
qualidades de um solo fértil e produtivo.
O húmus é o estágio final da transformação da matéria orgânica
no solo, responsável por todas as características desejáveis
desta matéria orgânica.
A adição de matéria orgânica bruta no solo demanda em períodos
de até cinco anos para que esta seja transformada pelos
microorganismos do solo neste estágio final. Quanto mais pobre
em nitrogênio e rica em carbono for a matéria orgânica, mais
demorada será a transformação, podendo até ser nociva em
aplicação maciça e contínua.
Assim, a compostagem surge como um método de aceleramento de
transformação de toda e qualquer matéria
orgânica produzida na propriedade, para ser
então aplicada ao sob com grande vantagem e benefícios
incalculáveis, uma vez que nos climas tropicais a matéria
orgânica dos solos é rapidamente degradada, seja pelas
condições ambientais, ou pelas colheitas, exigindo uma
reposição constante para não privar mais o solo de seu
principal fator de fertilidade e produtividade.
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MATERIAL
-
Qualquer
material de origem vegetal pode ser utilizado: folhas, cascas
de arroz e milho, sabugo, palhas, esterco (a cama de dejeção
de animais constitui um material farto de boa qualidade,
inclusive como solução para o aproveitamento deste material.
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MODO
DE
PREPARAR
-
A compostagem
pode ser feita em camadas espalhadas diretamente no campo, o
que exige o uso de inoculantes ou aceleradores de
decomposição; ou pilhas, que é o melhor método quanto aos
resultados finais obtidos.
O primeiro processo consiste em esparramar a
camada de matéria orgânica no solo, inocular e esperar a
degradação
para posterior incorporação.
O segundo processo consiste em formar pilhas com os materiais
disponíveis. A formação destas pilhas tem objetivo e
características próprias. O objetivo é induzir uma fermentação
aeróbica (com presença de ar) destes materiais cujos produtos
finais são os desejáveis. Para isso deve-se seguir a
metodologia seguinte:
a)
Obter o maior número possível de materiais, de preferência
uma boa quantidade de materiais verdes e esterco, os quais a
propriedade tem em abundância (para um tempo menor de
fermentação e produção final de melhor qualidade).
b)
Picar os materiais no menor
tamanho possível, pois, quanto menor, menos será o tempo
necessário para decomposição.
c)
Na construção das pilhas pode-se
seguir dois procedimentos: Misturar todos os materiais e
confeccionar montes, ou construí-los com camadas sucessivas
dos diferentes materiais disponíveis.
d)
No preparo dos montes pode-se
usar inoculantes para acelerar ainda mais o processo,
misturando junto com os materiais ou entremeando a cada três
ou quatro camadas. Esses inoculantes podem ser comerciais (Q.R.,
ou fermentos bacterianos).
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APROVEITAMENTO
DAS
CAMAS
- No
aproveitamento das camas dos
eqüinos, devem ser usados de dois a seis quilogramas destas
para as dejeções de um animal por dia, para uma boa
fermentação.
No caso de usar-se apenas cama como forragem,
deve-se adicionar
5%
de terra da
superfície do solo e, no caso de esterco puro, este deve
entrar apenas com 1/3 do material utilizado.
As
pilhas de composto devem ter a forma aproximada de trapézio,
com 2 a 3 metros de base maior, 1 metro de base menor e 1,5
metro de altura.
O comprimento depende do local e quantidade de material
disponível para a compostagem. Elas devem ser construídas da
margem para o centro, em todas as camadas, para permanecer em
equilíbrio sem desmontar.
Todo o material deve ser molhado durante a composição. Deve
ter um teor de umidade tal que, apertado entre as mãos, apenas
algumas gotas saiam entre os dedos
com palha seca
para evitar o encharcamento com a chuva, e conservar a
temperatura favorável ao desenvolvimento dos microorganismos
dentro da pilha. Se estes procedimentos forem corretamente
seguidos, a pilha deverá ser bem fofa e arejada, e dentro de
um a três dias a temperatura se elevará devido ao rápido
desenvolvimento dos microorganismos e conseqüente fermentação
do material. A elevação da temperatura a aproximadamente 70°C
se manterá por algumas semanas. Esta temperatura é desejável,
pois promove a assepsia do material, eliminando
microorganismos patogênicos e ovos de parasitas dos animais,
sendo o produto final altamente higiênico. Depois, a
temperatura volta ao normal, quando então abranda-se a
fermentação e inicia-se o processo de humificação.
A pilha não
formará nenhum ponto preto, não desprenderá odores
desagradáveis e nem apresentará mofos cinzentos.
Caso alguns desses
sinais apareça, deve-se revirar, umedecer e refazer toda a
pilha, pois eles indicam fermentação anaeróbicas (ausência de
ar) que são indesejáveis.
A presença de
minhocas é normal e altamente benéfica.
No caso de a pilha
ressecar demais, ou em estações muito quentes e secas, deve-se
introduzir varas na pilha, retirará-las, e adicionar água nos
orifícios deixados por estas. Aos 8 meses aproximadamente, os
compostos sem inoculações serão amadurecidos. Nos inoculados,
por volta de 2 meses aproximadamente.
O composto maduro
tem coloração marrom-escuro, cheiro agradável e estrutura
esponjosa, tendo desaparecido folhas, talos, palhas e
materiais grosseiros. A inoculação, a picagem e qualidade do
material aliados à confecção correta da pilha são importantes
para diminuir o tempo necessário para a transformação e
qualidade final da compostagem
■
APLICAÇÃO
- Composto amadurecido pode
ser aplicado de 15 a 35 toneladas por hectare, após o pasto
ser cortado e espalhado sobre a superfície do terreno.
Aplicações menores a intervalos pequenos têm melhor efeito do
que aplicações maciças com longos intervalos.
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VANTAGENS
- A matéria orgânica
incorporada como compostos traz inúmeras vantagens tais como:
no composto, a matéria orgânica já está em estágio avançado e
desejável de decomposição que é o húmus, já plenamente ativo,
o que a partir da matéria orgânica bruta iria necessitar um
tempo muito grande no solo para acontecer.
O composto estará totalmente
asséptico e ainda este húmus trará um inóculo enorme de
microorganismos e animais inferiores, ativando a vida do solo,
além de um grande número de antibióticos, substanciais de
crescimento, etc. Assim, o composto trará para o solo direta e
indiretamente fatores importantes
de manutenção de produtividade, com a produção de pastos
abundantes e qualitativamente equilibrados para os animais.
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