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"O
mercado de feno nacional está em plena expansão mas é
considerado por especialistas um investimento de alto risco"
Fardos de feno, comuns na paisagem rural européia, começam a
se tornar visíveis nas fazendas brasileiras. São alimentos
indispensáveis a eqüinos, ovinos e caprinos, gados leiteiros e
de corte que passaram a engordar também o setor de
agronegócios, atraindo fortes grupos empresariais,
principalmente a partir da última década.
Mas os números ainda são
imprecisos sobre o volume negociado no mercado a cada ano.
Segundo Ricardo Adrian Muradas, PhD. em agrostologia (Ciência
das Pastagens) e Nutrição Animal, o mercado é variável,
atraindo produtores quando o preço do feno sobe. “Em períodos
de alta, o fardo de 10 a 12 quilos é comercializado entre 4 e
4,50 reais. Na baixa, em torno de 3 reais.” Muradas garante
que nessa área não existe espaço para amadores. Ele acredita
que Minas ocupa o segundo lugar na produção nacional de feno,
tendo o Rio Grande do Sul e o Paraná nos calcanhares, perdendo
apenas para São Paulo. E é justamente nas Gerais que estão
instalados os maiores produtores do país, como a Fazenda Água
Comprida, no Triângulo Mineiro, com mais de 700 hectares de
área plantada, de onde saem cerca de 14 mil toneladas de feno
por ano. Ou a maior em produtividade, a Agropecuária
Sondontécnica S.A., em Engenheiro Navarro, município próximo a
Bocaiúva, no Norte de Minas. Lá, a produção é de 1,8 mil
tonelada por ano, em 60 hectares, que abastece também
criatórios de Teresópolis (RJ), de algumas cidades do Espírito
Santo (ES) e Distrito Federal. A alta rentabilidade dessa
fazenda é resultante do clima seco da região e área 100%
irrigada. Este ano, com a prolongada estação de chuvas,
fenômeno raro no norte do Estado, a previsão é de queda na
produção. Isso pode influenciar preços, que deverão subir um
pouco.
Responsável por esses dois projetos,
Muradas introduziu o feno nas pastagens brasileiras há 30
anos. O primeiro foi do tipo coast cross, que trouxe dos
Estados Unidos. Ele foi consultor em 492 projetos de feno em
haras e fazendas brasileiras. Muitas delas para que se
tornassem auto-suficientes. Outro projeto, mais recente,
elaborado por ele foi o da Fazenda Guará, em Inhaúma, a 74 km
de Belo Horizonte, do advogado José Murilo Procópio de
Carvalho. Com dois anos de produção, a fazenda já abastece o
mercado mineiro com feno de qualidade. “Investir nesse
segmento começa pela escolha do terreno, que deve ser plano,
com ligeira inclinação”, diz Procópio. Ele lembra que é
preciso irrigação para estimular o crescimento e sol no
período da colheita; gastos com equipamentos, como
enfardadeiras; e escolha das gramíneas. Algumas permitem maior
rentabilidade por hectare e retêm menos umidade, inimiga
número um do produto. Estar perto dos mercados compradores é
importante. O custo do frete costuma inviabilizar a venda.
A produção de feno ocupa 60 hectares
dos 200 hectares da fazenda de Procópio. O tipo escolhido foi
o Tifton 85 e outros considerados ainda mais palatáveis para
os animais, com vantagens também na produção, com secagem mais
rápida, como os tipos Jigg's e o Russel. Os fardos vão para
clientes como o Cepel (Centro de Preparação Eqüestre da Lagoa)
e fazendas próximas à capital mineira.
Os proprietários da Drogaria Araújo foram outros que
optaram pela produção de feno na sua propriedade, a Fazenda
Santa Helena, em Bom Despacho (MG). "Decidimos apostar nesse
segmento há oito anos, investindo em alta tecnologia e
maquinário, depois do estudo de viabilidade
econômicofinanceira para a escolha de um empreendimento
agroindustrial", explicam Cristina e Modesto Araújo. São 450
hectares úteis de plantação, dos quais 40% irrigados por pivô
central, onde são produzidas nove mil toneladas por ano de
feno de qualidade. A enfardadeira veio dos Estados Unidos, com
prensas hidráulicas que possibilitam a produção de fardos mais
compactados, aumentando a densidade das pilhas. Assim,
caminhões trucados, que normalmente transportam entre cinco e
seis mil quilos, no caso do Santa Helena levam o dobro, entre
10 e 11 mil quilos. Nas entregas a longa distância, essa é uma
vantagem competitiva para os clientes.
Apesar de o Estado comportar grandes produtores, o
Departamento Técnico da Federação da Agricultura do Estado de
Minas Gerais (Faemg) informa que não existem dados disponíveis
sobre produção de feno em Minas, ou mesmo no Brasil. A
principal característica do mercado é ser pulverizado, marcado
pela presença de fornecedores e compradores de todos os
portes, onde qualidade e preço é que realmente fazem a
diferença. Os tipos oferecidos são diversificados: mais
nutritivo (Vip), com classes A, B e C, que inclui maior ou
menor percentagem de fibras, de acordo com a dieta dos
animais.
Atualmente, falar em produzir feno em escala de
mercado com investimentos inferiores a três milhões de reais é
tarefa difícil. “A partir deste valor já pode ser um começo,
ainda assim com risco de perdas”, alerta o sócio-proprietário
da Rehagro-Recursos Humanos no Agronegócio, o engenheiro
agrônomo Fábio Sidnei, que foi o responsável pelo projeto da
Fazenda Santa Helena. O retorno previsto para o investimento,
segundo estima, varia de 10 a 20 anos. "Mas esse é um nicho
importante e com perspectivas de expansão", garante o advogado
e produtor José Murilo Procópio.
Do corte ao
armazenamento:
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Horário
ideal para o corte: manhã
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Altura
do corte: nunca rente ao chão, para evitar
contaminação
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Secagem
ou desidratação: tempo médio de três dias
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Processo: revolvido à tarde e enleirado à
noite.
Folhagem espalhada.
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Condições climáticas: luz do sol na secagem,
baixa umidade e ventos
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Ponto
de feno: quando torcido, o feixe volta
lentamente ao ponto inicial
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Cuidados: se voltar rapidamente, está úmido.
Seco demais, se quebra
•
Armazenamento: no ponto de feno, é recolhido
em fardos ou solto
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