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Filosofia da Criação de Eqüinos

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

Neste primeiro capítulo, falaremos sobre a Filosofia da Criação de Cavalos mas que poderíamos estender a todo o campo da produção animal, inclusive utilizando seus princípios básicos para o homem. A criação de cavalos esta intimamente ligada a quatro fatores decisivos que são a NUTRIÇÃO, a SANIDADE, O MANEJO e a CAPACIDADE GENÉTICA. A ordem destes fatores pode variar de haras para haras, mas acreditamos que são estas as prioridades a serem cumpridas pelos criadores brasileiros.

 

 

 

 

No entanto, dos itens acima, a capacidade genética a parece como o fator de maior atrativo aos proprietários. Geralmente, o fascínio que o "pedigree" e as linhagens oferecem cativam o criador, que encontra nestes temas um campo mais fácil de estudos e domínio sobre os relacionados a cálculos nutricionais, normas sanitárias e esquemas de manejo, os quais exigem bases biológicas e uma boa experiência de observação. O princípio é: produto de um bom garanhão numa boa égua selecionada para ele nos dará um bom animal. A maior preocupação reside na compra de animais de bom "pedigree", com boa campanha e, logo, no estudo hipológico para definir os "Nicks" ou afinidades de cruzamento.

Todas essas preocupações com o po­tencial genético são importantes e até decisivas para o sucesso da criação. Entretanto, o que divergimos é na sua colocação. A probabilidade de termos um bom animal, partindo exclusivamen­te da capacidade genética é extrema­mente baixa. Já desde a gestação, os cuidados nutricionais são importantes, bem como serão também durante todos os estágios de crescimento e desenvol­vimento.

Um animal Nutrido corretamente terá maior possibilidade de manifestar o seu potencial genético. Por outro lado, um animal mal nutrido, com potencial ge­nético fantástico, terá bloqueada a ma­nifestação desses caracteres e se nive­lará por baixo. O mesmo ocorrerá em relação à sanidade e ao manejo. Um animal protegido por uma sanidade pro­filática adequada (vacinas, vermífugos, etc.) levará uma vida sem sobressaltos, aproveitando melhor a nutrição e po­dendo potencializar a capacidade ge­nética. A falta de princípios sanitários, no entanto, também bloqueará a mani­festação genética. Tendo uma nutrição e uma sanidade correta, o manejo pas­sa a ser fundamental.

O manejo começa no cruzamento, passa pela gestação, parto, desmama, cria, doma e treinamento, etc..., (sobre treinamento de eqüinos, a Revista HIPPUS tem publicação específica - "Manual de Treinamento"). Uma criação onde a nutrição, a sanidade e o manejo estive­rem corretos dará ao animal a condi­ção de manifestar todo o seu potencial genético adquirido no momento da fe­cundação. E muito comum proprietários gastarem fortunas na aquisição dos ani­mais e, logo, pretenderem fazer econo­mias na adubação de pastagens, na suplementação de cocho, em vacinas, na contratação de pessoal habilitado, etc, o que é um grave erro.

Na nossa vida profissional, também temos sido questionados sobre os ani­mais de "exceção" que, mesmo tendo tido deficiências notórias a níveis de nutrição, sanidade e manejo, se com­portam como bons animais.

As respostas cabem a um velho veterinário alemão: "Quanto melhores seriam se tivessem tido uma criação adequa­da? Quanto mais longa seria a campa­nha nas pistas, se não tivessem tido pro­blemas ósseos? Quantas corridas perdi­das de focinho não teriam sido ganhas de focinho? Quantos craques gestados não demonstrariam suas aptidões?"

A criação de cavalos é, sem dúvida, de grande complexidade, com muitos fatores a serem considerados. No entan­to, a probabilidade de sucesso aumenta com a aplicação de tecnologia, lógica e observação. De tal modo, o investimen­to em potencial genético terá maior retor­no após os haras terem dominado o trinômio Nutrição, Sanidade e Manejo. Ten­do esta filosofia como base de nossos trabalhos, iniciaremos uma série de arti­gos que começam pela seleção da área a se instalar o haras, passando por ta das as etapas de construção e uso

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