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Implantação das Pastagens

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

           O tipo de solo onde serão implantadas as pastagens de um Haras deve merecer especial atenção do proprietário. Bom solo aliado a manejo adequado são garantia de boas pastagens.

           As terras destinadas ao pastoreio devem ser de boa fertilidade e, antes de qualquer manuseio, analisadas por um engenheiro agrônomo para que se verifique a necessidade de correção da acidez e deficiências minerais do terreno.

          No preparo do pasto é importante a remoção de tocos, pedras, cupinzeiros, formigueiros e especialmente as ervas daninhas.

          Outro fator a se considerar é a escolha do implemento agrícola adequado ao tipo de solo e à operação desejada.

         Implantado o pasto, atente para sua conservação para que haja bom desenvolvimento e perenidade, pois afinal é ele que vai oferecer as necessidades básicas dos animais.

          Neste capítulo, vocês vão conhecer o método adequado para o preparo do solo, o plantio de mudas e sementes, o manejo dos piquetes e dos animais, a adubação e todo o processo de fenacão.

 

     PREPARO DO SOLO - O preparo do solo para implantação das pastagens deve ser realizado em função das ca­racterísticas como topografia, textura e estrutura do próprio sol. Na preparação, os objetivos são diferenciados segundo o sistema de implantação, quer seja por mudas (Transvala, Coast cross e Tifton) ou sementes (Alfafa, Mucuna, ou Aveia preta).

 

     PLANTIO POR MUDAS - Na implantação por mudas, a terra é trabalhada - com o objetivo de quebrar a compactação superficial e a eliminação da forrageira a ser substituída - por meio de arações, gradeações e subsolagens que pulverizam o solo, oxigenando-o e aumentando a capacidade de armazenar umidade.

         É importante lograr por estes trabalhos não só a eliminação das ervas daninhas como também a sementeira latente, o que traduzirá em uma redução dos tratos culturais após o plantio. Isto é obtido mediante pas­sadas de grades sucessivas, sempre que aparecer germinação da sementeira durante a fase de preparação.

         Recomenda-se o plantio das mudas em dias chuvosos ou nublados, com o solo úmido. Com sistema de irrigação, o número de dias para plantio poderá ser incrementado, segundo as possibilidades do equipamento.

         O espaçamento do plantio dependerá da variedade a ser implantada, conforme indicado para cada uma das variedades forrageiras. E recomendável também, em relação ao plantio, que as mudas sejam arrancadas com o torrão de terra e somente a quantidade necessária para o plantio do dia, evitando-se assim a desidratação.

         O desfiamento das touceiras será feito pelo próprio plantador, à medida em que vai plantando. A muda deverá ser colocada no interior do sulco em 2/3 do seu tamanho e, logo em seguida, este será fechado com terra e compactado levemente. Como tratamento cultural, recomenda-se capinas de limpeza ou aplicação de herbicidas até o fechamento do terreno.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

■    PLANTIO POR SEMENTES - Neste caso, a preparação é mais esmerada, pois as mesmas necessitam de uma boa cama de semeadura. Isto quer dizer que, além das tarefas normais de preparação, é necessário se fazer uma pulverização da terra superficial, para um íntimo contato entrei as partículas do solo, a fim de sei evitar torrões, os quais formam espaços de ar e produzem uma germinalção falsa.

         Para este tipo de plantio, é de fundamental importância não só se adquirir sementes de boa procedência com porcentagem de germinação e pureza analisadas, como também uma simples prática de germinação pouco antes do plantio. O método de semeadura usado é um fator que determina tanto a economia de sementes como uma boa população e inclusive a disposição das plantas no terreno.

         O principal propósito da semeadura é distribuir uniformemente as sementes no solo, proporcionando condições para a germinação e emergência. O uso de máquina semeadeira apresenta grande valor para formação de bons prados, pois além de colocar as: sementes em linhas, juntam-nas ao adubo para a imediata utilização.

 

 

 

■   MANEJO DOS PIQUETES - E importante destacar não só o manejo que é próprio do pasto como também o dos animais sobre o mesmo. O objetivo principal é elevar a produção e o estado do pastoreio do piquete, a fim de que o animal sinta satisfeitas suas necessidades básicas diretamente a partir deste, recebendo uma suplementação em cocheira para  completar os requerimentos nutritivos.

 

■   MANEJO DO PASTO - Uma vez implantado o pasto inicia-se o processo mais difícil que é a sua conservação. E de fundamental importância que se realizem certas práticas de manutenção, a fim de que a pastagem possa desenvolver-se da melhor forma possível, e também porque estas lhe outor­gam condições de perenidade.

         Os principais inimigos do pasto são as ervas daninhas que competem com este em nutrientes, luz e água e, como geralmente não são consumidas pelos animais, fortalecem sua posição dentro do piquete, já que os pastos, rebaixados pelos animais, ficam em inferioridade de condição. Devemos levar em conta, ainda, que as ervas daninhas geralmente possuem sementes férteis, com as quais o não tratamento implica em aumento do stand de plantas indesejáveis. O manejo recomendado para estes casos é a eliminação constante precoce do mato, seja por capinas de limpeza (ceifadeira ou roçadeira, cortando também a forrageira aproveitável), ou por herbicidas seletivas (matam as ervas daninhas não afetando a forrageira).

         Em relação à adubação dos pas­tos, esta deve ser feita com o resultado de análises da terra - que devem ser feitas anualmente -, as quais mostram as deficiências nutritivas do solo. A partir destas análises, se estabelece um programa de recuperação, com o objetivo de elevar e equilibrar a condição nutritiva para um maior desenvolvimento qualitativo e quantitativo da espécie forrageira. Neste aspecto, podemos diferenciar dois tratamentos de fertilização:

         O primeiro, com objetivos corretivos, usando-se fertilizantes químicos e orgânicos a fim de equilibrar a presença dos elementos nutritivos, já que estes são absorvidos dentro de certas relações pelas plantas.

         O segundo se relaciona à necessidade de restituir o que foi explorado do piquete com cortes para feno e o acúmulo das fezes dos animais nas cocheiras, levando-se também em conta que uma parcela dos elementos passa a formar parte da estrutura dos mesmos.

         Outro aspecto a ser considerado é o referente aos cortes das pastagens a serem efetuados em alguns períodos do ano, para eliminar a matéria morta, folhas e colmos velhos de baixa palatabilidade e digesfibilidade. Estes cortes podem ser aproveitados como feno para camas, além de estimular a rebrota e, como conseqüência/ o valor nutritivo das pastagens.

         E necessário e fundamental, tendo em vista a condição do solo predominante, a realização de subsolagens, com a finalidade de quebrar a compactação provocada pela ação do sol, água e pisoteio dos animais, que formam uma camada superficial dura, não permitindo a penetração da água, o que dificulta o desenvolvimento radicular, limitando o crescimento e ocasionando um maior crescimento de raízes que começam a disputar tanto espaço como nutrientes, levando muitas vezes a uma competição interespecífica que origina um enfraquecimento das mesmas e, em certas ocasiões, levando-as à morte.

         A subsolagem favorecerá então o arejamento, a permeabilidade e o movimento de água do lençol freático, armazenagem de água, desenvolvimento radicular em profundidade (muito importante em épocas de secas) e a eliminação de erosão superficial, pois a água poderá penetrar no solo através dos sulcos abertos. Paralelamente ao processo de subsolagem, deverá ser realizada uma cobertura de matéria orgânica no mínimo uma vez por ano e dentro de um período de descanso do piquete.

         Para isso o haras encontra-se potencialmente capacitado, já que possui a matéria-prima (cama e estéreo). No entanto, não é possível a utilização deste material se não passar por um processo de transformação (amadurecimento). Este processo de transformação ou produção de matéria orgânica pode ser acelerado, mediante um tratamento de formação de composto que se baseia, principalmente, na incorporação de microorganismos que, tendo as condições de desenvolvimento favorecidas, aceleram o processo de decomposição.

         Dentro das medidas rotineiras, as pastagens devem ser percorridas, com a finalidade de detectar possíveis ataques de insetos ou agentes patogênicos, presença de buracos (coruja, tatu) cupins e formigas.

  MANEJO DOS ANIMAIS - A presença do animal na pastagem traz conseqüências para o pastoreiro. O pastoreio além dos limites (superpastoreio) e o pisoteio, que é maior de acordo com a categoria do animal, torna-se necessário um plano de manejo com o objetivo de preservar a forrageira e, por conseguinte, benefi­ciar os animais.

         Dentro dos melhores sistemas de ma­nejo encontram-se aqueles nos quais o estabelecimento reserva piquetes para substituir, em alguns períodos, os ocupados. O cavalo solto sobre o piquete vai rebaixando a altura do pasto, sendo necessário retirar o animal quando a altura da pastagem se veja comprometida. Isto ocorre quando os animais começam a comer partes da planta onde se encontram localizadas as reservas para uma futura rebrota. Na medida em que o animal atingir esta zona, a velocidade de rebrota torna-se mais lenta, e os pastoreios sucessivos podem levar a planta à morte.

         Quando os animais chegam a este nível de pastoreio, devem ser transportados a um novo piquete, o qual deverá estar em sua plena produção. E durante este tempo, o piquete que entra em descanso receberá tratamento de recuperação (limpeza, adubação, etc...).

         O período de ocupação e descanso varia de acordo com o tamanho do piquete, categoria e número de animais, espécie forrageira, época do ano e estado dos piquetes.

         Como conseqüência do acima exposto, o planejamento do rodízio será feito para cada momento, de acordo com as características predominantes, utilizando-se uma ficha por piquete, para anotações referentes à entrada e à saída dos animais, categoria, tratamento, espécie forrageira, etc...

 

ADUBAÇÃO DOS PASTOS

         As recomendações de fertilidade dos pastos deverão ser baseadas nas análises da terra dos piquetes, devendo constar, nas fichas de cada um, os resultados das análises químicas e granulométricas bem como doses e época de aplicação, dados que juntamente com os de uso e manejo formarão o histórico dos piquetes.

         As aplicações, tais como programadas para os nitrogenados, visam compensar dentro dos limites esperados as deficiências outonais da forragem. Para os demais macronutrientes essenciais como o fósforo e o potássio, pretende-se uma disponibilidade maior para as plantas e níveis crescentes ao longo dos anos.

         As normas de calcário deverão basear-se nos resultados das análises de solo para correção de pH, presença de alumínio tóxico ou necessidade de elevação do nível de cálcio e magnésio. As orientações gerais a seguir, na prática de fertilização ou correção para as pastagens já estabelecidas, são as que seguem:

-    Antecedendo a aplicação de fertilizantes ou pó calcário, o pasto deverá ser cortado, removendo-se a seguir a massa restante para fora dos piquetes. Esta operação poderá coincidir com a produção de feno para cama.

-    O calcário para melhor efeito deverá ser aplicado no início da estação chuvosa, sempre com no mínimo um mês antes da aplicação de fertilizantes.

-  O fertilizante nitrogenado pode ser aplicado em duas doses. A primeira, junto com os fosfatados e potássicos, no início das chuvas. A segunda, em abril, a fim de prolongar o crescimento dos pastos no outono.

-    As doses de adubos fosfatados e potássicos serão aplicadas no início das chuvas.

-    A entrada dos animais no pasto só será permitida, depois de verificada a ausência de pó calcário ou fertilizantes nas folhas e colmos. Em períodos chuvosos, de três a quatro dias, depois de uma boa chuva o pasto estará em condições de receber novamente os animais, em função de nova brotação.

 

 

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