|
São pastagens próprias de climas tropical e subtropical, com
curvas de crescimento vegetativo concentradas de meados da
primavera ao início ou meio do outono; as curvas de
crescimento acompanham as curvas de precipitações,
temperaturas e fotoperíodo (intensidade de luz).

As espécies e variedades que compõem este grupo apresentam-se
como base do esquema de pastoreio dos estados de São Paulo,
Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito
Santo e os estados do Norte e Nordeste.
A seguir, apresentaremos espécies de comportamento estivai e
suas principais características agrostológicas, mas não sem
antes alertarmos que os dados são orientativos e, para
análises das possibilidades de adaptação a um local
determinado, deve-se recorrer a um profissional competente.
Fazem parte deste grupo a Transvala, Coast cross, Pensacola,
Pango-a, Estrela africana, os capins Quicuio e Rhodes, a
Braquiária Umidicola, a Bermuda, a Soja perene, e o Tifton
68. Confira também
a análise comparativa entre Coast cross e Transvala.
■
TRANSVALA
- Uma
das espécies, cujo nome científico é
Digitaria decumbens c.v..
Originária da
Província de Transvaal na África do Sul, foi levada aos
Estados Unidos em 1964 e pertence a uma seleção americana
sobre capim Pangola.
Descrição
morfológica -
Gramínea
perene, estolonífera, possui folhas finas e abundantes, colmos
eretos, coloração verde-escura, como conseqüência de alto
nível de proteínas. Apresenta pêlos tuberculares basais na
parte superior da lâmina foliar nas proximidades do caule. O
número destes variam de três a 30 por folha. Seu caule
estolonífero possui pubescência nos nós e formam raízes a
partir de cada nó em contato com o solo. A posição
ereta das
folhas lhes dão uma alta resistência ao ataque de cigarrinhas,
já que as espuminhas, onde as ninfas se desenvolvem, secam
pela passagem de raios solares.
Características agronômicas
- O Transvala
possui resistência ao nematóide
Belonolaimus longi-caudatus
Rau, e
ao vírus do
enfezamento do Pangola (PSV) que é comum na América do Sul, e
que prejudica sobremaneira esta gramínea. Fixa nitrogênio
atmosférico assimbioticamente através da bactéria
Spirillum lipoferum,
o que
representa uma economia significativa em adubação
nitrogenada. A produtividade do Transvala está concentrada nos
meses de primavera, verão e outono. No inverno seu crescimento
é retardado em conseqüência das baixas temperaturas noturnas.
Mas, apesar de susceptível a geadas, possui rápida reação por
nova brotação após a época desfavorável. No período de
produtividade anual, alcança valores de produção de 45 mil kg
de matéria verde por hectare.
Por sua agressividade e velocidade de fechamento do terreno,
as pastagens de Transvala geralmente são puras, sem presença
de ervas daninhas. Possui boa capacidade de suporte, e é bem
aceito pelos animais, servindo também para conservação do solo
contra erosões.
A Transvala
possui alta digestibilida-de - 73,8% -, boa palatabilidade e,
tanto verde como fenado, possui um elevado valor nutritivo.
Propagação, clima e solos
-
A TransvaIa
e agamica (não possui sementes férteis). Deve ser multiplicada
por via vegetativa (estolões ou touceiras divididas da
planta-mãe] e o plantio deve ser feito na estação quente, logo
após as primeiras chuvas, distanciando-se as mudas de 60x60cm.
O solo deve estar bem preparado e os trabalhos culturais
consistem em capinas prematuras das sementes do mato para
permitir um fechamento limpo do terreno. E recomendada para
áreas de climas subi tropical e tropical e solos de média a
fraca fertilidade.
Tratos
culturais
- Após
o plantio, capinar as plantas daninhas até o fechamento total
e limpo dor terreno. Previamente à entrada dos animais e com o
capim bem desenvolvido, promover o corte com ceifadeira para
forçar o alastramento e a rebrota uniforme. Com 10cm de altura
a pastagem deverá ser liberada para os animais que receberão
uma ferragem tenra e
nutritiva.
|
ANALISE BR0MAT0L0GICA COMPARATIVA |
|
Elementos |
transvala
% |
Pangola
% |
|
Matéria seca a 65% |
21,84 |
31,29 |
|
Matéria seca a100% |
94,17 |
94,96 |
|
Proteína bruta |
11,71 |
4,80 |
|
Fibra bruta |
34,11 |
33,61 |
|
Extrato etéreo |
3,76 |
2,36 |
|
Matéria mineral |
9,77 |
8,99 |
|
Extrativos não nitrogenados |
40,65 |
50,24 |
|
Cálcio |
0,76 |
0,26 |
|
Fósforo |
0,23 |
0,22 |
■
COAST CROSS
N◦
1
- Com o nome
científico de
Cynodon dactylon c.v
(1)
pers,
esta espécie
pertence ao grupo de capins grama seda ou grama de burro,
capim do pomar, Bermudas, etc... Originária da África são
muitas as suas variedades.
Existem
diversos tipos de grama de burro, um deles, menor, denominado
variedade pequena ou comum; possui bastante risomas e é usado
para gramados de parque e campos para esporte. Outra variedade
é a denominada "gramão", e tem porte maior.
A partir
destas espécies originárias, os americanos desenvolveram entre
outros híbridos as Bermuda suwanne para solos leves e a
Coastal bermuda para terrenos pesados e argilosos.
Ambas são mais produtivas que as espécies que as originaram.
Posteriormente foi selecionado um novo varieta, o Coast cross
n◦
1 de
recente introdução no Brasil, que apresenta características
agrostológicas
e bromafológicas
superiores.
Descrição morfológica
- Gramínea
perene, como a Transvala, é gramínea rústica, de crescimento
rasteiro e que desenvolve inúmeros estolhos superficiais e
grande quantidade de rizomas, formando relvados densos e bem
enfolhados, com um eficiente controle de plantas invasoras e
proteção do solo contra erosão. Alastra-se facilmente pelos
estolões que alcançam notável desenvolvimento horizontal. Em
terras de boa fertilidade e umidade pode formar denso colchão
de massa verde, chegando até 60cm de altura. E uma planta
altamente resistente às condições adversas sobre pastoreio,
pisoteio, fogo, seca, geada, recuperando-se rapidamente.
Características agronômicas -
Adaptada a
solos médios argilosos ou arenosos, está gramínea prefere os
levemente úmidos e bem drenados. Vegeta bem desde o nível do
mar até 1.800m. Responde bem à fertilidade, e, além disso
resiste à seca, à geada e, relativamente, ao fogo. Sua alta
produtividade está concentrada nos meses de primavera, verão e
outono, com a vantagem de que uma adubação nitrogenada no fim
do outono prolonga o crescimento vegetativo no período do
inverno.
Gramínea de alta palatabilidade
aliada a um elevado valor nutritivo é a preferida pelos
animais. Excelente como pasto verde, ou produzindo feno de
alto valor tanto para a alimentação como para confecção de
camas.
Em ensaios feitos pelo
Instituto de Zootecnia de Nova Odessa a Coast cross
n◦
1
produziu 15,7t. de feno/ha, a Estrela 13,7t. e a grama
paulista 6,7t. de feno/ha.
Propagação, clima e solos
- Sua
propagação é feita por pedaços de colmos e mudas enraizadas,
plantadas em covas ou riscos separados de 80cm,
aproveitando-se o período de início de chuvas com o solo
úmido, ou sob irrigação. Encontrado em faixas de clima
temperado, sua grande adaptabilidade se manifesta nos trópicos
e subtrópicos. A partir de precipitações de 600mm já é
possível se estabelecer prados com esta forrageira.
No relativo a solos, adapta-se aos solos
médios argilosos, desenvolvendo-se ainda nos mais arenosos e
pobres.
Tratos culturais
- Como na
plantação da Transvala, antes da entrada dos animais deve-se
ceifar para uma rebrota uniforme e com um fechamento total e
limpo do terreno, forçando o alastramento de uma ferragem
tenra e nutritiva. Pela sua alta produtividade é importante
trabalhar com lotes numerosos, devendo ser rebaixada por corte
sempre que passar o seu ponto de maturidade.
Sua análise bromatológica,
realizada pelo laboratório de bromatologia do Instituto de
Produção Animal do Estado de São Paulo, revela os seguintes
teores:
|
Matéria seca a 65%..................
|
28,36% |
|
Matéria seca a 100%................
|
93,78% |
|
Proteína bruta...........................
|
7,50% |
|
Fibra
bruta................................
|
35,49% |
|
Matéria graxa...........................
|
2,49% |
|
Matéria mineral.........................
|
5,64% |
|
Extrativos não nitrogenados.. |
48,88% |
|
Cálcio......................................
|
0,39% |
|
Fósforo.....................................
|
0,11% |
Análise
comparativa entre o capim Coast Cross e Transvala

À esqueda da cerca, o pasto
de Tranvala; á direita,
menos denso e mais claro o
capim Coast Cross.
O capim Coast cross apresenta
uma alta capacidade de adaptação, podendo ser encontrado desde
Bagé, no Rio Grande do Sul, até os estados de Roraima e Ceará,
apresentando diferenciações de verdadeiras raças climáticas.
Já o Transvala com maior susceptibilidade ao frio, vegeta bem
até os arredores de Curitiba, no Paraná. Com relação à
altitude, eles se desenvolvem desde o nível do mar até 1.800
metros e, ambos, quanto a precipitações, têm como limite
mínimo 600mm.
A propagação destes capins é
feita de forma vegetativa por não possuírem sementes férteis.
O material utilizado são partes das plantas como touceiras ou
estolões, produtos da divisão da planta adulta. Em relação ao
pegamento inicial avaliado em iguais condições o Coast cross é
mais rápido, emitindo estolões mais ralos e compridos que o
Transvala. Quanto ao fechamento do terreno da área de
implantação apresenta um fechamento mais rápido; no entanto o
capim Transvala fecha de forma mais densa e definitiva. No
Coast cross é possível observar até seis meses após o plantio
uma concentração de crescimento no risco de implantação.
Geralmente o Transvala é mais
puro, exercendo um controle das ervas daninhas devido à sua
agressividade e por ser uma espécie que apresenta um altíssimo
número de folhas e talos por centímetro quadrado. O Coast
cross é mais aberto e possibilita um desenvolvimento maior de
ervas daninhas.
No que se refere à resistência a
pastoreio, o Transvala leva vantagem, pois
é
mais resistente por
suas próprias características vegetativas.
O cavalo é um animal de grande
capacidade seletiva. Por
meio
de
testes de pastoreio verifica-se uma notada predileção sobre o
Coast cross, devido a sua palatabilidade com seu alto teor de
açúcares. Este efeito, além das características de dominância
agrostológica, limita a consorciação dentro de um mesmo
piquete das duas espécies.
A rebrota destas duas espécies
de gramíneas em condições normais é de velocidade similar. Mas
em condições desfavoráveis (seca, geada, fogo) o primeiro a
reagir é o capim Transvala.
A produção, apesar de ser
também da mesma natureza, pode ser alterada para um ou para
outro por condições de fertilidade de solo ou clima.
Sobre resistência a pragas e
doenças, tanto o Transvala como o Coast cross são extremamente
resistentes, no caso de cigarrinha das pastagens. Entretanto,
o primeiro apresenta maior resistência, devido ao seu porte
ereto que permite a passagem dos raios solares os quais secam
as espumas onde se desenvolvem a ninfa da cigarrinha.
O valor nutritivo é alto nas
duas espécies e o mesmo se incrementa rapidamente por
adubações; o transvala é mais rico em proteínas e minerais
enquanto o Coast cross em hidratos de carbono. Apesar disso,
os níveis de fibras são similares. As duas espécies também
produzem excelente feno para alimentação e camas.
O Coast cross apresenta maior
facilidade para o corte, ao contrário do Transvala que, por
ser muito denso, dificulta o corte pelas ceifadeiras,
sobretudo em estágio passado de ponto. Também no aspecto
visual do feno o do Coast cross é mais agradável que o do
Transvala que toma uma tonalidade marrom, e isso o tem
prejudicado, injustamente, na comercialização.
A perenidade é um dado que
agora está podendo ser observado em pastagens de mais de dez
anos; o Transvala apresenta-se mais vigoroso, preservando a
ocupação da área e o controle das ervas daninhas.
Conclusão -
Os dados acima têm
como objetivo demonstrar que não existe a pastagem ideal.
Apesar de tratar-se de duas pastagens excepcionais para haras,
nunca o estabelecimento deverá reduzir a opção de pastoreiro
para uma única espécie, por melhor que ela seja. Temos
observado em nossa vida
profissional, haras que praticamente acabaram quando uma praga
específica da pastagem a dizima.
A recomendação, portanto, é a implantação de
piquetes de Coast cross, Transvala, e até alguma outra
espécie, a fim de revezar as pastagens dos animais, oferecendo
uma dieta variada e mais rica no seu total.
■
PENSACOLA [Paspalum notatum saurae) -
E também conhecido
pelos nomes comuns de grama forquilha, pasto bahia, "Bahia
grass". E uma espécie obtida nos Estados Unidos a partir da
grama batatais.
Morfologicamente é uma gramínea perene, de climas subtropical
e tropical, possui
rizomas curtos, grossos
e
vigorosos, que se
alastram ocupando todo o terreno. Embora o seu crescimento
seja lento - também paralisa-os no inverno -, pode chegar até
75cm. de altura.
Características agronômicas
- Embora não
seja exigente em solos, o Pensacola não se desenvolve bem nos
que possuem umidade excessiva. Gramínea forte, resiste bem ao
pisoteio e razoavelmente à seca e ao frio. Sua utilização pode
ser tanto para pastoreio quanto para produção de feno de boa
qualidade. Com rendimento variável, fornece de cinco a a seis
toneladas de matéria seca/ha/ano, revelando, em 100% de
matéria seca, 10,78% de proteína bruta e
31,82% de fibra
bruta.
Propagação
- Por meio de
sementes, onde são usadas de 20-30kg/ha em média, em linhas
distanciadas de 25cm a 30cm, ou a lanço com 40kg/ha, através
de gradagem leve para o enterro superficial das sementes (não
ultrapassar 2cm de profundidade devido ao pequeno tamanho da
semente) ou com semeadeira acoplada ao trator.
A germinação de sementes
recém-coIhidas é baixa, sendo melhorada com o armazenamento.
Possui tegumentos duros,
impedindo que a germinação ocorra em poucos
dias. As vezes pode levar até 30 dias ou mais para a
germinação.
Considerações
- A grande vantagem
desta espécie é que a sua implantação pode ser feita por
sementes, o que reduz significativamente os custos. No
entanto, por possuir estado de dormência e um desenvolvimento
inicial lento, é recomendável o plantio sobre terrenos livres
de ervas daninhas, as quais podem comprometer o êxito da
implantação. Sua consorciação com leguminosas tropicais também
se torna difícil já que pode ser abafada por estas se
plantadas na mesma época. No sul do País entretanto a
consorciação é possível com Trevo branco e Cornichão.
Outro fator a se considerar é o
início de uso, o que raramente se dará antes de 1 ano de
plantado. Responde muito bem a adubações químicas e orgânicas,
melhorando assim a sua qualidade e produtividade.
■
PANGOLA
- Originário do Transva-al, na África do Sul, seu nome
científico é
Digitaria decumbens stent.
O estudo de sua
morfologia mostra que é uma espécie perene. Rasteira, com
estolões superficiais que cobrem todo o solo, possui talos
eretos que podem alcançar até 60cm de altura. Por ser
decumbente -voltado para o solo - cobre completamente o
terreno e tem a grande vantagem de evitar a erosão nos
terrenos acidentados. Com vegetação muito vigorosa, torna-se
até agressiva, concentrada, no entanto, nos meses quentes e
chuvosos.
Características agronômicas
- Possui
abundantes folhas de boa palatabilidade. Sua agressividade,
embora lhe permita "abafar" eficazmente as plantas invasoras,
o torna difícil de ser erradicado. Vegeta bem em solos
argilosos ou arenosos, e é bastante resistente à seca, à
inundação e relativamente bem a geadas.
Pode
ser plantado do nível do mar até 800m de altitude, desde que a
precipitação pluvial esteja acima de 700mm. Produz de 8 a
10 toneladas de
feno/ha/ ano em três a quatro cortes, com um nível de proteína
bruta de 5 a 6%, dependendo da fertilidade do solo.
Propagação -
É feita por mudas em
sulcos. Embora a produção de inflorescências (ramos de flores)
seja muito grande, essa gramínea não forma sementes férteis.
Quanto a pragas possui séria limitação. Essas pragas são
representadas pelas cigarrinhas e cochonilhas que causam
consideráveis danos às pastagens de Pangola. Há, entretanto,
determinadas condições que modificam o ciclo do Pangola, não
mantendo ambiente propício ao desenvolvimento das pragas.
Considerações
- Esta espécie foi
durante muitos anos a base da criação de cavalos. Hoje existem
gramíneas que tomaram o Pangola como base de evolução, no caso
o Transvala que apresenta melhores condições nutritivas e
agrostológicas, e onde se conseguiu resistência para sérios
problemas do Pangola, como o
Stunf virus I,
responsável pelo
"enfezamento", e a nematóides.
Por outro lado, o
Pangola apresenta elevado teor de oxalato, o que afeta a
absorção de cálcio pelos animais, formando um sal insolúvel,
o oxalato de cálcio.
■
ESTRELA AFRICANA
(Cynodon
plectosfachyum) -
Recebe os nomes comuns de estrela da áfrica, pasto estrela e
"star grass" e como o Coast cross e muitas outras também é
perene.
Seus
colmos são longos, fortemente estolonífera (estolões
superficiais e subterrâneos atingindo aprofundamento de raízes
consideráveis), enraíza-se nos nós e quando solta seus fortes
estolões para todos os lados -, forma entre as plantas um
entrelaçamento perfeito.
É uma
gramínea com folhas pilosas
- que possuem pêlos - de
coloração verde-escura, e suas folhas são maiores e mais
grosseiras que as do Coast coss
- Cynodon
dactylon,
da grama seda ou grama de
burro.
Características Agronômicas
- A Estrela Africana
vegeta bem em regiões quentes e suporta a seca e não tem
problemas se plantadas em solos pobres com pH baixo (apesar de
preferir os arenosos) com precipitações pluviais acima de
750mm anuais. Resiste bem ao pisoteio e cortes freqüentes.
Propagação
- Se faz
apenas por via vegetativa. E recomendado seu plantio durante a
estação das águas, em solos úmidos com mudas (estolões)
maduras, que são colocadas em sulcos a uma distância de 50cm a
1 metro uma das outras. O plantio nas entrelinhas do milho, em
sulcos espaçados a 40cm, duas semanas após a semeadura deste,
apresenta bons resultados. Tem a vantagem de responder muito
bem a adubações nitrogenadas, podendo ser utilizada
diretamente como pastagem ou para fenação.
Em ensaios em Nova Odessa,
produziu-se cerca de 13 toneladas de feno por hectare, com
alta fertilização aplicada, tendo sua composição bromatológica
no período vegetativo de 7,8 a 14,22% de proteína bruta,
24,28% de fibra bruta, 1,78% de extrato etéreo e 37,78% de
extrativos não nitrogenados.
Embora haja algumas citações de que ela possua um princípio
tóxico (ácido-prússico), isso entretanto não tem causado
nenhum problema no meio criatório.
Considerações
-
Apresenta uma marcada estacionalidade produtiva,
concentrando-se de fins de primavera a início de outono, o que
reduz significativamente o tempo anual de uso. Exige um manejo
baixo por lotação e o corte a fim de não passar do ponto ideal
onde seus talos e folhas engrossam e endurecem
caindo o nível nutritivo e
diminuindo a palatabilidade. Para se ter bons resultados com
esta forrageira, o estado de consumo deve ser o de brotação
10-15cm. Entre as
qualidades estão a resistência ao pisa feio e pastoreio, além
de sua adaptação a solos pobres.
■
CAPIM QUICUIO [Pennisetum clandestinum) -
Gramínea de origem da
África Central, é perene, porém vigorosa. Com estolões que, ao
contrário dos da Estrela africana que emite colmos longos,
esta os possuem curtos e enfolhados nos nós. Seu vigor e sua
densidade de vegetação torna-o preferido para a defesa contra
a erosão.
É
um capim rústico, apresentando grande resistência ao pisoteio
ao fogo e a qeada; não tolera seca, tampouco umidade
excessiva.
Características agronômicas -
O seu
crescimento se dá em clima subtropical úmido. O solo porém
deve ser de boa fertilidade e isentos de acidez pronunciada. O
Quicuio cresce com muito vigor em solos com acentuada presença
de matéria orgânica e vegeta em região Oesde 1.000 a 3.000m de
altitude, com precipitações pluviométricas próximas a 660 mm
anuais.
2
Possui bom
crescimento na época mais amena do ano e responde bem às
fertilizações nitrogenadas. Tem teor médio de proteína bruta e
além disso é de boa digestibilidade.
Propagação -
O ideal é por mudas
em covas ou sulcos. Pois apesar de existir produção de
sementes, sua colheita é dificultada devido à sua formação
muito rente ao solo.
Considerações -
Esta foi uma das
gramíneas de maior disseminação natural. Hoje, entretanto, sua
implantação está restringida devido a dois graves problemas; o
elevado teor de oxalato e sua crescente susceptibilidade a
cigarrinhas das pastagens.
■
CAPIM DE RHODES [Chlorís gayana Kunth) -
Origem, África do
Sul. Planta ereta, cespitosa, perene, atingindo altura de 1
metro a
1,5metros
segundo as
variedades; sistema radicular
profundo, folhas glabras finas e longas, além dos colmos
verticais, formam touceiras e é estolonífera.
Características agronômicas -
É uma gramínea de
crescimento de verão, adaptada a climas subtropicais, com
precipitações de
650
a 1.000
mm, muito tolerante à seca e à geada. Possui florescimento
acelerado por dias curtos. Bastante exigente em termos de
solos, responde bem à aplicação de adubação nitrogenada e
irrigação.
Mesmo em estágio madura é bem aceita
pelos animais e também muito usada para a prática de fenação.
Sua melhor altura para pastejo é 30cm e seu rendimento varia
de 12
a 14 toneladas de
matéria seca por hectare, com teor de proteína bruta de 7,9% -
11 %.
Propagação
- Por intermédio de sementes, embora
estas possuam valor germinativo variável e geralmente baixo,
com valor cultural aproximado de 20%. A lanço ou em linhas,
com sementes de bom valor cultural, utilizam-se
aproximadamente 5,0 a 8,0 kg/ha. Já com sementes de menor
valor cultural serão necessários de 10 a 15kg/ha/
Considerações
- E uma forrageira estivai de difícil
adaptação a solos e, apesar de sua característica de
perenidade, raramente se comporta como tal. Por isso requer
uma implantação cuidadosa, compactando com rolo durante ou
após o plantio, com o objetivo de colocar a semente em íntimo
contato com o solo. O seu desenvolvimento inicial é lento,
para logo tornar-se vigoroso.
No primeiro ano de produção é
excelente. No entanto, submetido a pastoreio, ela se reduz
sensivelmente e, no segundo e terceiro ano, infelizmente
permite a infestação de ervas daninhas. Embora as primeiras
quedas de sementes das próprias plantas logrem restituir-Ihes
o stand inicial, depois de três ou quatro anos em pastagens
degradadas as sementes estarão subférteis ou inférteis. Esta
gramínea também não suporta compactação e, nesta condição seu
sistema radicular fica superficial, podendo ser arrancadas
facilmente pelos cavalos no pastoreio.
■
BRAQUIÁRIA
UMIDICOIA
-
Também de origem
africana, é conhecida pelos nomes comuns de quicuio da
amazônia, capim agulha, pontudinho.
Como a maioria das gramíneas estivais é
perene. De cor verde, ereta e rizomatosa, tem colmos
ascendentes, glabra, com ápice terminando em agulha, bordos
serrilhados.
Características agronômicas -
Bastante agressiva e
rústica, sua produtividade varia entre 9 e 1 1 toneladas por
ha de matéria seca. E resistente ao pisoteio e tolerante ao
ataque da cigarrinha das pastagens. Mesmo apresentando
palatabilidade menor que as demais braquiárias, é bem
consumida pelos animais.
Por
isso há a necessidade de um bom manejo, ou seja, evitar um
crescimento muito alto já que isso a torna enrijecida e
diminui o seu valor nutritivo.
Seu crescimento na fase inicial de
formação de pastagem é lento e o teor de proteína bruta é de ó
a 1 1 % e 37,54% de fibra bruta.
Propagação
-
Pode ser por mudas ou sementes. No caso de
opção por estas, elas devem ter valor cultural de 30% e são
usadas de 5 a 10 Kg por hectare.
Considerações -
E a única espécie do
gênero braquiária consumida pelos cavalos. No entanto, exige
um pastoreio baixo, não permitindo que a pastagem passe de
ponto, pois comprometeria ainda mais a sua palatabilidade. Por
outro lado, se os cavalos não gostam de pastos altos, com esta
espécie o risco é maior por formar verdadeiras agulhas que
podem afetar perigosamente olhos e vias respiratórias dos
mesmos.
■
BERMUDA
(Cynpdon daclylon)
(L) Pers. -
Originária da Ásia, é conhecida por vários outros nomes comuns
como "bermuda grass" coastal bermuda, Estrela gigante e
Suwanee bermuda. Espécie perene, de crescimento rasteiro que
desenvolve inúmeros estolhos superficiais e grande quantidade
de rizomas, formando densos relvados e bem enfolhados.
Enraíza-se nos nós, de onde os perfilhos florais se originam
eretos. Há diversas variedades, sendo algumas melhoradas e que
possuem folhas mais longas e mais largas.
Formam o grupo das bermudas: - c v coastal bermuda. Não produz
sementes viáveis e seu pasto tem pouca duração, se degradando
após três, quatro anos de utilização. C v Coast cross -
resultante do cruzamento de duas variedades de C daclylon.
Todos os cultivares respondem
bem à adubação e proporcionam fenos de excelentes qualidades.
Características agronômicas -
Gramínea adaptada a
solos médios argilosos ou arenosos, preferindo os levemente
úmidos e bem drenados. Vegeta bem desde o nível do mar até
1.800m de altitude. Resiste bem à seca e à geada e
relativamente ao fogo. Adapta-se bem a precipitações anuais de
635mm a
1
.700mm.
Propagação -
Para a
bermuda comum, usa-se 3kg de sementes/ha, enquanto para as
demais variedades que não produzem sementes, a propagação é
feita por mudas ou estolões, distanciados de 30cm x 30cm. Para
a formação de
1
ha é necessário 1 tonelada de material.
Considerações -
E outra forrageira
que exige manejo baixo para manter o nível nutritivo.
Passadas, e ponto 20 - 25cm de altura praticamente os 2/3
inferiores
estão secos, o que reduz
significativamente o valor da massa consumida. Nestas
condições os acidentes com fogo são comuns.
■
SOJA
PERENE [Glycine wightti) -
Como a Bermuda é
também originária da Ásia, e conhecida como Soja perene comum.
Leguminosa perene, herbácea, rasteira, trepadora volúvel, com
hastes pilosas e de coloração verde-escura. Suas folhas são
trifoliadas com folíolos largos, racemos axilares, ráquis
dotado de brácteas lineares, flor com
5
a
7
mm de comprimento,
fruto do tipo vagem, comprida, tendo o terço terminal
levemente encurvado em ponta fina.
Características agronômicas
- Planta
trepadora com raízes profundas, apresentando boa nodulação.
Adaptada a regiões onde a precipitação anual está entre 700 a
1.500mm, desenvolve-se bem em regiões de altitude. Entretanto,
não tolera solos de drenagem deficiente, e é muito exigente
quanto a sua fertilidade. O seu florescimento ocorre desde
abril a setembro, dependendo do fato de ser precoce ou tardia.
Propagação -
Por sementes
provenientes da autofecundação cleistogâmica, usando-se de 2 a
3 kg/ha. A produção de sementes ocorre no fim de maio e
resulta em cerca de 800 kg/ha.
Considerações -
E possível sua
implantação em consorciado com gramíneas tropicais e
subtropicais, mas exige um manejo cuidadoso para se evitar
dominâncias. O seu desenvolvimento inicial é lento, existindo
dormência na semente e que pode ser diminuída ou eliminada por
escarificação química ou física.
E
importante observar que existem dados sobre de eólicas em
animais, sobretudo em culturas puras ou de predominância na
época de floração. Outro ponto negativo é sobre o feno. Apesar
de ser produzido, a confecção do mesmo, no entanto, é difícil
devido à queda de folhas no processo de desidratação.
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TIFTON
68
- É o
nome comum dado ao
Cynodon
nlemfluensis vander.
Foi desenvolvido por USDA - ARS (United States
Department of Agriculture - Agri-cultural Research Service) em
cooperação com a Universidade da Georgia - Estados Unidos.
O Tifton 68 - Bermuda grass é um (F1) híbrido entre PI 255450
e PI 293606, sendo os dois Bermuda grass mais digestivos na
coleção de 500 introduções nas diferentes partes do mundo. É
um tipo gigante, com largos talos e largos estalões sem
rizomas. Apresenta imunidade mas também alta resistência á
maioria das doenças que atacam os Bermudas gass.
Características agronômicas - É um dos pastos com maior
resistência a condições desfavoráveis como períodos de secas,
baixas temperaturas, fogo, geada, etc..., recuperando-se
rapidamente apos passados os fenômenos. Em condições
favoráveis, alta temperatura e umidade, dentro do período de
plantio com chuvas regulares após o mesmo além de condições
médias de fertilidade, o Tifton 68 terá a capacidade de
fechamento do terreno em 45 dias. A partir do fechamento,
crescera verticalmente, aumentando rapidamente a produção de
massa verde.
Em relação às pastagens
subtropicais, o Tifton mantém-se em um bom desenvolvimento e
crescimento, mesmo com temperaturas baixas, existindo,
inclusive, dados bibliográficos de crescimento em temperaturas
de até -7ºC, obsevando-se somente
morte das plantas a partir de temperaturas abaixo de -11ºC.
Propagação -
Multiplica-se agamicamente (mudas) por meio de estolões ou
touceiras, não possuindo sementes férteis; é de se destacar o
vigor das plantas e a velocidade do fechamento dentro do
terreno. A partir de 1 metro quadrado de viveiro poderá ser
implantado, por divisões de touceiras e estolões, mais de 150
metros quadrados. Esta relação permite que com um hectare de
mudas poderá, em seu primeiro desmanche, implantar-se mais de
150 hectares. O espaçamento ideal é de 80cm entre linhas e
sulcos de 12-15cm de profundidade.
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