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Pastos de clima Sub-tropical / Tropical

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

        São pastagens próprias de climas tropical e subtropical, com curvas de crescimento vegetativo concentradas de meados da primavera ao início ou meio do outono; as curvas de crescimento acompanham as curvas de precipitações, temperaturas e fotoperíodo (intensidade de luz).

 

 

 

 

       As espécies e variedades que compõem este grupo apresentam-se como base do esquema de pastoreio dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo e os estados do Norte e Nordeste.

       A seguir, apresentaremos espécies de comportamento estivai e suas principais características agrostológicas, mas não sem antes alertarmos que os dados são orientativos e, para análises das possibilidades de adaptação a um local determinado, deve-se recorrer a um profissional competente.

       Fazem parte deste grupo a Transvala, Coast cross, Pensacola, Pango-a, Estrela africana, os capins Quicuio e Rhodes, a Braquiária Umidicola, a Bermuda, a Soja perene, e o Tifton 68. Confira também a análise comparativa entre Coast cross e Transvala.

 

       TRANSVALA - Uma das espécies, cujo nome científico é Digitaria decumbens c.v.. Originária da Província de Transvaal na África do Sul, foi levada aos Estados Unidos em 1964 e pertence a uma seleção americana sobre capim Pangola. Descrição morfológica - Gramínea perene, estolonífera, possui folhas finas e abundantes, colmos eretos, coloração verde-escura, como conseqüência de alto nível de proteínas. Apresenta pêlos tuberculares basais na parte superior da lâmina foliar nas proximidades do caule. O número destes variam de três a 30 por folha. Seu caule estolonífero possui pubescência nos nós e formam raízes a partir de cada nó em contato com o solo. A posição ereta das folhas lhes dão uma alta resistência ao ataque de cigarrinhas, já que as espuminhas, onde as ninfas se desenvolvem, secam pela passagem de raios solares. Características agronômicas - O Transvala possui resistência ao nematóide Belonolaimus longi-caudatus Rau, e ao vírus do enfezamento do Pangola (PSV) que é comum na América do Sul, e que prejudica sobremaneira esta gramínea. Fixa nitrogênio atmosférico assimbioticamente através da bactéria Spirillum lipoferum, o que representa uma economia significativa em adubação nitrogenada. A produtividade do Transvala está concentrada nos meses de primavera, verão e outono. No inverno seu crescimento é retardado em conseqüência das baixas temperaturas noturnas. Mas, apesar de susceptível a geadas, possui rápida reação por nova brotação após a época desfavorável. No período de produtividade anual, alcança valores de produção de 45 mil kg de matéria verde por hectare.

Por sua agressividade e velocidade de fechamento do terreno, as pastagens de Transvala geralmente são puras, sem presença de ervas daninhas. Possui boa capacidade de suporte, e é bem aceito pelos animais, servindo também para conservação do solo contra erosões.

       A Transvala possui alta digestibilida-de - 73,8% -,  boa palatabilidade e, tanto verde como fenado, possui um elevado valor nutritivo. Propagação, clima e solos - A TransvaIa e agamica (não possui sementes férteis). Deve ser multiplicada por via vegetativa (estolões ou touceiras divididas da planta-mãe] e o plantio deve ser feito na estação quente, logo após as primeiras chuvas, distanciando-se as mudas de 60x60cm. O solo deve estar bem preparado e os trabalhos culturais consistem em capinas prematuras das sementes do mato para permitir um fechamento limpo do terreno. E recomendada para áreas de climas subi tropical e tropical e  solos de média a fraca fertilidade.

Tratos culturais - Após o plantio, capinar as plantas daninhas até o fechamento total e limpo dor terreno. Previamente à entrada dos animais e com o capim bem desenvolvido, promover o corte com ceifadeira para forçar o alastramento e a rebrota uniforme. Com 10cm de altura a pastagem deverá ser liberada para os animais que receberão uma ferragem tenra e nutritiva.

 

ANALISE BR0MAT0L0GICA COMPARATIVA

Elementos

transvala %

Pangola %

Matéria seca a 65%

21,84

31,29

Matéria seca a100%

94,17

94,96

Proteína bruta

11,71

4,80

Fibra bruta

34,11

33,61

Extrato etéreo

3,76

2,36

Matéria mineral

9,77

8,99

Extrativos não nitrogenados

40,65

50,24

Cálcio

0,76

0,26

Fósforo

0,23

0,22

 

 

       COAST CROSS N 1 - Com o nome científico de Cynodon dactylon c.v (1) pers, esta espécie pertence ao grupo de capins grama seda ou grama de burro, capim do pomar, Bermudas, etc... Originária da África são muitas as suas variedades.

       Existem diversos tipos de grama de burro, um deles, menor, denominado variedade pequena ou comum; possui bastante risomas e é usado para gramados de parque e campos para esporte. Outra variedade é a denominada "gramão", e tem porte maior.

       A partir destas espécies originárias, os americanos desenvolveram entre outros híbridos as Bermuda suwanne para solos leves e a Coastal bermuda para terrenos pesados e argilosos. Ambas são mais produtivas que as espécies que as originaram.

       Posteriormente foi selecionado um novo varieta, o Coast cross n 1 de recente introdução no Brasil, que apresenta características agrostológicas e bromafológicas superiores.

Descrição morfológica - Gramínea perene, como a Transvala, é gramínea rústica, de crescimento rasteiro e que desenvolve inúmeros estolhos superficiais e grande quantidade de rizomas, formando relvados densos e bem enfolhados, com um eficiente controle de plantas invasoras e proteção do solo contra erosão. Alastra-se facilmente pelos estolões que alcançam notável desenvolvimento horizontal. Em terras de boa fertilidade e umidade pode formar denso colchão de massa verde, chegando até 60cm de altura. E uma planta altamente resistente às condições adversas sobre pastoreio, pisoteio, fogo, seca, geada, recuperando-se rapidamente.

Características agronômicas - Adaptada a solos médios argilosos ou arenosos, está gramínea prefere os levemente úmidos e bem drenados. Vegeta bem desde o nível do mar até 1.800m. Responde bem à fertilidade, e, além disso resiste à seca, à geada e, relativamen­te, ao fogo. Sua alta produtividade está concentrada nos meses de primavera, verão e outono, com a vantagem de que uma adubação nitrogenada no fim do outono prolonga o crescimento vegetativo no período do inverno.

       Gramínea de alta palatabilidade aliada a um elevado valor nutritivo é a preferida pelos animais. Excelente como pasto verde, ou produzindo feno de alto valor tanto para a alimentação como para confecção de camas.

       Em ensaios feitos pelo Instituto de Zootecnia de Nova Odessa a Coast cross n 1 produziu 15,7t. de feno/ha, a Estrela 13,7t. e a grama paulista 6,7t. de feno/ha.

Propagação, clima e solos - Sua propagação é feita por pedaços de colmos e mudas enraizadas, plantadas em covas ou riscos separados de 80cm, aproveitando-se o período de início de chuvas com o solo úmido, ou sob irrigação. Encontrado em faixas de clima temperado, sua grande adaptabilidade se manifesta nos trópicos e subtrópicos. A partir de precipitações de 600mm já é possível se estabelecer prados com esta forrageira.

       No relativo a solos, adapta-se aos solos médios argilosos, desenvolvendo-se ainda nos mais arenosos e pobres.

Tratos culturais - Como na plantação da Transvala, antes da entrada dos animais deve-se ceifar para uma rebrota uniforme e com um fechamento total e limpo do terreno, forçando o alastramento de uma ferragem tenra e nutritiva. Pela sua alta produtividade é importante trabalhar com lotes numerosos, devendo ser rebaixada por corte sempre que passar o seu ponto de maturidade.

       Sua análise bromatológica, realiza­da pelo laboratório de bromatologia do Instituto de Produção Animal do Estado de São Paulo, revela os seguintes teores:

 

Matéria seca a 65%..................

28,36%

Matéria seca a 100%................

93,78%

Proteína bruta...........................

7,50%

Fibra bruta................................

35,49%

Matéria graxa...........................

2,49%

Matéria mineral.........................

5,64%

Extrativos não nitrogenados..

48,88%

Cálcio......................................

0,39%

Fósforo.....................................

0,11%

 


 

Análise comparativa entre o capim Coast Cross e Transvala

 

À esqueda da cerca, o pasto de Tranvala; á direita,

menos denso e mais claro o capim Coast Cross.

 

       O capim Coast cross apresenta uma alta capacidade de adaptação, podendo ser encontrado desde Bagé, no Rio Grande do Sul, até os estados de Roraima e Ceará, apresentando diferenciações de verdadeiras raças climáticas. Já o Transvala com maior susceptibilidade ao frio, vegeta bem até os arredores de Curitiba, no Paraná. Com relação à altitude, eles se desenvolvem desde o nível do mar até 1.800 metros e, ambos, quanto a precipitações, têm como limite mínimo 600mm.

       A propagação destes capins é feita de forma vegetativa por não possuírem sementes férteis. O material utilizado são partes das plantas como touceiras ou estolões, produtos da divisão da planta adulta. Em relação ao pegamento inicial avaliado em iguais condições o Coast cross é mais rápido, emitindo estolões mais ralos e compridos que o Transvala. Quanto ao fechamento do terreno da área de implantação apresenta um fechamento mais rápido; no entanto o capim Transvala fecha de forma mais densa e definitiva. No Coast cross é possível observar até seis meses após o plantio uma concentração de crescimento no risco de implantação.

       Geralmente o Transvala é mais puro, exercendo um controle das ervas daninhas devido à sua agressividade e por ser uma espécie que apresenta um altíssimo número de folhas e talos por centímetro quadrado. O Coast cross é mais aberto e possibilita um desenvolvimento maior de ervas daninhas.

       No que se refere à resistência a pastoreio, o Transvala leva vantagem, pois é mais resistente por suas próprias características vegetativas.

       O cavalo é um animal de grande capacidade seletiva. Por meio de testes de pastoreio verifica-se uma notada predileção sobre o Coast cross, devido a sua palatabilidade com seu alto teor de açúcares. Este efeito, além das características de dominância agrostológica, limita a consorciação dentro de um mesmo piquete das duas espécies.

       A rebrota destas duas espécies de gramíneas em condições normais é de velocidade similar. Mas em condições desfavoráveis (seca, geada, fogo) o primeiro a reagir é o capim Transvala.

       A produção, apesar de ser também da mesma natureza, pode ser alterada para um ou para outro por condições de fertilidade de solo ou clima.

       Sobre resistência a pragas e doenças, tanto o Transvala como o Coast cross são extremamente resistentes, no caso de cigarrinha das pastagens. Entretanto, o primeiro apresenta maior resistência, devido ao seu porte ereto que permite a passagem dos raios solares os quais secam as espumas onde se desenvolvem a ninfa da cigarrinha.

       O valor nutritivo é alto nas duas espécies e o mesmo se incrementa rapidamente por adubações; o transvala é mais rico em proteínas e minerais enquanto o Coast cross em hidratos de carbono. Apesar disso, os níveis de fibras são similares. As duas espécies também produzem excelente feno para alimentação e camas.

       O Coast cross apresenta maior facilidade para o corte, ao contrário do Transvala que, por ser muito denso, dificulta o corte pelas ceifadeiras, sobretudo em estágio passado de ponto. Também no aspecto visual do feno o do Coast cross é mais agradável que o do Transvala que toma uma tonalidade marrom, e isso o tem prejudicado, injustamente, na comercialização.

       A perenidade é um dado que agora está podendo ser observado em pastagens de mais de dez anos; o Transvala apresenta-se mais vigoroso, preservando a ocupação da área e o controle das ervas daninhas.

Conclusão - Os dados acima têm como objetivo demonstrar que não existe a pastagem ideal. Apesar de tratar-se de duas pastagens excepcionais para haras, nunca o estabelecimento deverá reduzir a opção de pastoreiro para uma única espécie, por melhor que ela seja. Temos observado em nossa vida profissional, haras que praticamente acabaram quando uma praga específica da pastagem a dizima. A recomendação, portanto, é a implantação de piquetes de Coast cross, Transvala, e até alguma outra espécie, a fim de revezar as pastagens dos animais, oferecendo uma dieta variada e mais rica no seu total.

 

        PENSACOLA [Paspalum notatum saurae) - E também conhecido pelos nomes comuns de grama forquilha, pasto bahia, "Bahia grass". E uma espécie obtida nos Estados Unidos a partir da grama batatais.

Morfologicamente é uma gramínea perene, de climas subtropical e tropical, possui rizomas curtos, grossos e vigorosos, que se alastram ocupando todo o terreno. Embora o seu crescimento seja lento - também paralisa-os no inverno -, pode chegar até 75cm. de altura.

Características agronômicas - Embora não seja exigente em solos, o Pensacola não se desenvolve bem nos que possuem umidade excessiva. Gramínea forte, resiste bem ao pisoteio e razoavelmente à seca e ao frio. Sua utilização pode ser tanto para pastoreio quanto para produção de feno de boa qualidade. Com rendimento variável, fornece de cinco a a seis toneladas de matéria seca/ha/ano, revelando, em 100% de

matéria seca, 10,78% de proteína bruta e 31,82% de fibra bruta.

Propagação - Por meio de sementes, onde são usadas de 20-30kg/ha em média, em linhas distanciadas de 25cm a 30cm, ou a lanço com 40kg/ha, através de gradagem leve para o enterro superficial das sementes (não ultrapassar 2cm de profundidade devido ao pequeno tamanho da semente) ou com semeadeira acoplada ao trator.

       A germinação de sementes recém-coIhidas é baixa, sendo melhorada com o armazenamento. Possui tegumentos duros,

impedindo que a germinação ocorra em poucos dias. As vezes pode levar até 30 dias ou mais para a germinação. Considerações - A grande vantagem desta espécie é que a sua implantação pode ser feita por sementes, o que reduz significativamente os custos. No entanto, por possuir estado de dormência e um desenvolvimento inicial lento, é recomendável o plantio sobre terrenos livres de ervas daninhas, as quais podem comprometer o êxito da implantação. Sua consorciação com leguminosas tropicais também se torna difícil já que pode ser abafada por estas se plantadas na mesma época. No sul do País entretanto a consorciação é possível com Trevo branco e Cornichão.

       Outro fator a se considerar é o início de uso, o que raramente se dará antes de 1 ano de plantado. Responde muito bem a adubações químicas e orgânicas, melhorando assim a sua qualidade e produtividade.

 

       PANGOLA - Originário do Transva-al, na África do Sul, seu nome científico é Digitaria decumbens stent. O estudo de sua morfologia mostra que é uma espécie perene. Rasteira, com estolões superficiais que cobrem todo o solo, possui talos eretos que podem alcançar até 60cm de altura. Por ser decumbente -voltado para o solo - cobre completamente o terreno e tem a grande vantagem de evitar a erosão nos terrenos acidentados. Com vegetação muito vigorosa, torna-se até agressiva, concentrada, no entanto, nos meses quentes e chuvosos.

Características agronômicas - Possui abundantes folhas de boa palatabilidade. Sua agressividade, embora lhe permita "abafar" eficazmente as plantas invasoras, o torna difícil de ser erradicado. Vegeta bem em solos argilosos ou arenosos, e é bastante resistente à seca, à inundação e relativamente bem a geadas.

Pode ser plantado do nível do mar até 800m de altitude, desde que a precipitação pluvial esteja acima de 700mm. Produz de 8 a 10 toneladas de feno/ha/ ano em três a quatro cortes, com um nível de proteína bruta de 5 a 6%, dependendo da fertilidade do solo.

Propagação - É feita por mudas em sulcos. Embora a produção de inflorescências (ramos de flores) seja muito grande, essa gramínea não forma sementes férteis. Quanto a pragas possui séria limitação. Essas pragas são representadas pelas cigarrinhas e cochonilhas que causam consideráveis danos às pastagens de Pangola. Há, entretanto, determinadas condições que modificam o ciclo do Pangola, não mantendo ambiente propício ao desenvolvimento das pragas.

Considerações - Esta espécie foi durante muitos anos a base da criação de cavalos. Hoje existem gramíneas que tomaram o Pangola como base de evolução, no caso o Transvala que apresenta melhores condições nutritivas e agrostológicas, e onde se conseguiu resistência para sérios problemas do Pangola, como o Stunf virus I, responsável pelo "enfezamento", e a nematóides.

       Por outro lado, o Pangola apresenta elevado teor de oxalato, o que afeta a absorção de cál­cio pelos animais, for­mando um sal insolúvel, o oxalato de cálcio.

 

       ESTRELA AFRICANA (Cynodon plectosfachyum) - Recebe os nomes comuns de estrela da áfrica, pas­to estrela e "star grass" e como o Coast cross e muitas outras também é perene.

    Seus colmos são longos, fortemente estolonífera (estolões superficiais e subterrâneos atingindo aprofundamento de raízes consideráveis), enraíza-se nos nós e quando solta seus fortes estolões para todos os lados -, forma entre as plantas um entrelaçamento perfeito.

       É uma gramínea com folhas pilosas - que possuem pêlos - de coloração verde-escura, e suas folhas são maiores e mais grosseiras que as do Coast coss - Cynodon dactylon, da grama seda ou grama de burro.

Características Agronômicas - A Estrela Africana vegeta bem em regiões quentes e suporta a seca e não tem problemas se plantadas em solos pobres com pH baixo (apesar de preferir os arenosos) com precipitações pluviais acima de 750mm anuais. Resiste bem ao pisoteio e cortes freqüentes.

Propagação - Se faz apenas por via vegetativa. E recomendado seu plantio durante a estação das águas, em solos úmidos com mudas (estolões) maduras, que são colocadas em sulcos a uma distância de 50cm a 1 metro uma das outras. O plantio nas entrelinhas do milho, em sulcos espaçados a 40cm, duas semanas após a semeadura deste, apresenta bons resultados. Tem a vantagem de responder muito bem a adubações nitrogenadas, podendo ser utilizada diretamente como pastagem ou para fenação.

       Em ensaios em Nova Odessa, produziu-se cerca de 13 toneladas de feno por hectare, com alta fertilização aplicada, tendo sua composição bromatológica no período vegetativo de 7,8 a 14,22% de proteína bruta, 24,28% de fibra bruta, 1,78% de extrato etéreo e 37,78% de extrativos não nitrogenados.

Embora haja algumas citações de que ela possua um princípio tóxico (ácido-prússico), isso entretanto não tem causado nenhum problema no meio criatório.

Considerações - Apresenta uma marcada estacionalidade produtiva, concentrando-se de fins de primavera a início de outono, o que reduz significativamente o tempo anual de uso. Exige um manejo baixo por lotação e o corte a fim de não passar do ponto ideal onde seus talos e folhas engrossam e endurecem caindo o nível nutritivo e diminuindo a palatabilidade. Para se ter bons resultados com esta forrageira, o estado de consumo deve ser o de brotação 10-15cm. Entre as qualidades estão a resistência ao pisa feio e pastoreio, além de sua adaptação a solos pobres.

 

       CAPIM QUICUIO [Pennisetum clandestinum) - Gramínea de origem da África Central, é perene, porém vigorosa. Com estolões que, ao contrário dos da Estrela africana que emite colmos longos, esta os possuem curtos e enfolhados nos nós. Seu vigor e sua densidade de ve­getação torna-o preferido para a defesa contra a erosão.

       É um capim rústico, apresentando grande resistência ao pisoteio ao fogo e a qeada; não tolera seca, tampouco umidade excessiva.

Características agronômicas - O seu crescimento se dá em clima subtropical úmido. O solo porém deve ser de boa fertilidade e isentos de acidez pronunciada. O Quicuio cresce com muito vigor em solos com acentuada presença de matéria orgânica e vegeta em região Oesde 1.000 a 3.000m de altitude, com precipitações pluviométricas próximas a 660 mm anuais. 2 Possui bom crescimento na época mais amena do ano e responde bem às fertilizações nitrogenadas. Tem teor médio de proteína bruta e além disso é de boa digestibilidade.

Propagação - O ideal é por mudas em covas ou sulcos. Pois apesar de existir produção de sementes, sua colheita é dificultada devido à sua formação muito rente ao solo.

Considerações - Esta foi uma das gramíneas de maior disseminação natural. Hoje, entretanto, sua implantação está restringida devido a dois graves problemas; o elevado teor de oxalato e sua crescente susceptibilidade a cigarrinhas das pastagens.

 

       CAPIM DE RHODES [Chlorís gayana Kunth) - Origem, África do Sul. Planta ereta, cespitosa, perene, atingindo altura de 1 metro a 1,5metros segundo as variedades; sistema radicular profundo, folhas glabras finas e longas, além dos colmos verticais, formam touceiras e é estolonífera.

Características agronômicas - É uma gramínea de crescimento de verão, adaptada a climas subtropicais, com precipitações de 650 a 1.000 mm, muito tolerante à seca e à geada. Possui florescimento acelerado por dias curtos. Bastante exigente em termos de solos, responde bem à aplicação de adubação nitrogenada e irrigação.

       Mesmo em estágio madura é bem aceita pelos animais e também muito usada para a prática de fenação. Sua melhor altura para pastejo é 30cm e seu rendimento varia de 12 a 14 toneladas de matéria seca por hectare, com teor de proteína bruta de 7,9% - 11 %.

Propagação - Por intermédio de sementes, embora estas possuam valor germinativo variável e geralmente baixo, com valor cultural aproximado de 20%. A lanço ou em linhas, com sementes de bom valor cultural, utilizam-se aproximadamente 5,0 a 8,0 kg/ha. Já com sementes de menor valor cultural serão necessários de 10 a 15kg/ha/

Considerações - E uma forrageira estivai de difícil adaptação a solos e, apesar de sua característica de perenidade, raramente se comporta como tal. Por isso requer uma implantação cuidadosa, compactando com rolo durante ou após o plantio, com o objetivo de colocar a semente em íntimo contato com o solo. O seu desenvolvimento inicial é lento, para logo tornar-se vigoroso.

       No primeiro ano de produção é excelente. No entanto, submetido a pastoreio, ela se reduz sensivelmente e, no segundo e terceiro ano, infelizmente permite a infestação de ervas daninhas. Embora as primeiras quedas de sementes das próprias plantas logrem restituir-Ihes o stand inicial, depois de três ou quatro anos em pastagens degradadas as sementes estarão subférteis ou inférteis. Esta gramínea também não suporta compactação e, nesta condição seu sistema radicular fica superficial, podendo ser arrancadas facilmente pelos cavalos no pastoreio.

 

       BRAQUIÁRIA UMIDICOIA - Também de origem africana, é conhecida pelos nomes comuns de quicuio da amazônia, capim agulha, pontudinho.

       Como a maioria das gramíneas estivais é perene. De cor verde, ereta e rizomatosa, tem colmos ascendentes, glabra, com ápice terminando em agulha, bordos serrilhados.

Características agronômicas - Bastante agressiva e rústica, sua produtividade varia entre 9 e 1 1 toneladas por ha de matéria seca. E resistente ao pisoteio e tolerante ao ataque da cigarrinha das pastagens. Mesmo apresentando palatabilidade menor que as demais braquiárias, é bem consumida pelos animais.

Por isso há a necessidade de um bom manejo, ou seja, evitar um crescimento muito alto já que isso a torna enrijecida e diminui o seu valor nutritivo.

       Seu crescimento na fase inicial de formação de pastagem é lento e o teor de proteína bruta é de ó a 1 1 % e 37,54% de fibra bruta.

Propagação - Pode ser por mudas ou sementes. No caso de opção por estas, elas devem ter valor cultural de 30% e são usadas de 5 a 10 Kg por hectare.

Considerações - E a única espécie do gênero braquiária consumida pelos cavalos. No entanto, exige um pastoreio baixo, não permitindo que a pastagem passe de ponto, pois comprometeria ainda mais a sua palatabilidade. Por outro lado, se os cavalos não gostam de pastos altos, com esta espécie o risco é maior por formar verdadeiras agulhas que podem afetar perigosamente olhos e vias respiratórias dos mesmos.

 

       BERMUDA (Cynpdon daclylon) (L) Pers. - Originária da Ásia, é conhecida por vários outros nomes comuns como "bermuda grass" coastal bermuda, Estrela gigante e Suwanee bermuda. Espécie perene, de crescimento rasteiro que desenvolve inúmeros estolhos superficiais e grande quantidade de rizomas, formando densos relvados e bem enfolhados. Enraíza-se nos nós, de onde os perfilhos florais se originam eretos. Há diversas variedades, sendo algumas melhoradas e que possuem folhas mais longas e mais largas.

Formam o grupo das bermudas: - c v coastal bermuda. Não produz sementes viáveis e seu pasto tem pouca duração, se degradando após três, quatro anos de utilização. C v Coast cross - resultante do cruzamento de duas variedades de C daclylon.

       Todos os cultivares respondem bem à adubação e proporcionam fenos de excelentes qualidades.

Características agronômicas - Gramínea adaptada a solos médios argilosos ou arenosos, preferindo os levemente úmidos e bem drenados. Vegeta bem desde o nível do mar até 1.800m de altitude. Resiste bem à seca e à geada e relativamente ao fogo. Adapta-se bem a precipitações anuais de 635mm a 1 .700mm. Propagação - Para a bermuda comum, usa-se 3kg de sementes/ha, enquanto para as demais variedades que não produzem sementes, a propagação é feita por mudas ou estolões, distanciados de 30cm x 30cm. Para a formação de 1 ha é necessário 1 tonelada de material.

Considerações - E outra forrageira que exige manejo baixo para manter o nível nutritivo. Passadas, e ponto 20 - 25cm de altura praticamente os 2/3 inferiores estão secos, o que reduz significativamente o valor da massa consumida. Nestas condições os acidentes com fogo são comuns.

 

       SOJA PERENE [Glycine wightti) - Como a Bermuda é também originária da Ásia, e conhecida como Soja perene comum. Leguminosa perene, herbácea, rasteira, trepadora volúvel, com hastes pilosas e de coloração verde-escura. Suas folhas são trifoliadas com folíolos largos, racemos axilares, ráquis dotado de brácteas lineares, flor com 5 a 7 mm de comprimento, fruto do tipo vagem, comprida, tendo o terço terminal levemente encurvado em ponta fina.

Características agronômicas - Planta trepadora com raízes profundas, apresentando boa nodulação. Adaptada a regiões onde a precipitação anual está entre 700 a 1.500mm, desenvolve-se bem em regiões de altitude. Entretanto, não tolera solos de drenagem deficiente, e é muito exigente quanto a sua fertilidade. O seu florescimento ocorre desde abril a setembro, dependendo do fato de ser precoce ou tardia.

Propagação - Por sementes provenientes da autofecundação cleistogâmica, usando-se de 2 a 3 kg/ha. A produção de sementes ocorre no fim de maio e resulta em cerca de 800 kg/ha.

Considerações - E possível sua implantação em consorciado com gramíneas tropicais e subtropicais, mas exige um manejo cuidadoso para se evitar dominâncias. O seu desenvolvimento inicial é lento, existindo dormência na semente e que pode ser diminuída ou eliminada por escarificação química ou física.

E importante observar que existem dados sobre de eólicas em animais, sobretudo em culturas puras ou de predominância na época de floração. Outro ponto negativo é sobre o feno. Apesar de ser produzido, a confecção do mesmo, no entanto, é difícil devido à queda de folhas no processo de desidratação.

 

       TIFTON 68 - É o nome comum dado ao Cynodon nlemfluensis vander. Foi desenvolvido por USDA - ARS (United States Department of Agriculture - Agri-cultural Research Service) em cooperação com a Universidade da Georgia - Estados Unidos.

O Tifton 68 - Bermuda grass é um (F1) híbrido entre PI 255450 e PI 293606, sendo os dois Bermuda grass mais digestivos na coleção de 500 introduções nas diferentes partes do mundo. É um tipo gigante, com largos talos e largos estalões sem rizomas. Apresenta imunidade mas também alta resistência á maioria das doenças que atacam os Bermudas gass.

 

 

 

 

Características agronômicas - É um dos pastos com maior resistência a condições desfavoráveis como períodos de secas, baixas temperaturas, fogo, geada, etc..., recuperando-se rapidamente apos passados os fenômenos. Em condições favoráveis, alta temperatura e umidade, dentro do período de plantio com chuvas regulares após o mesmo além de condições médias de fertilidade, o Tifton 68 terá a capacidade de fechamento do terreno em 45 dias. A partir do fechamento, crescera verticalmente, aumentando rapidamente a produção de massa verde.

       Em relação às pastagens subtropicais, o Tifton mantém-se em um bom desenvolvimento e crescimento, mesmo com temperaturas baixas, existindo, inclusive, dados bibliográficos de crescimento em temperaturas de até -7ºC, obsevando-se somente morte das plantas a partir de temperaturas abaixo de -11ºC.

Propagação - Multiplica-se agamicamente (mudas) por meio de estolões ou touceiras, não possuindo sementes férteis; é de se destacar o vigor das plantas e a velocidade do fechamento dentro do terreno. A partir de 1 metro quadrado de viveiro poderá ser implantado, por divisões de touceiras e estolões, mais de 150 metros quadrados. Esta relação permite que com um hectare de mudas poderá, em seu primeiro desmanche, implantar-se mais de 150 hectares. O espaçamento ideal é de 80cm entre linhas e sulcos de 12-15cm de profundidade.

 

 

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