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As
espécies e variedades que
correspondem a este grupo , apresentam-se como base do
esquema de pastoreio dos estados sulinos Rio Grande do Sul,
Santa Catarina e Paraná. Não obstante alguns microclimas do
estado de São Paulo (Atibaia, Ibiúna, Cotia, Guararema, Campos
de Jordão), as regiões serranas do estado do Rio de Janeiro
(Petrópolis, Friburgo e Teresópolis) também apresentam
condições para o cultivo destas ferragens, sendo que, em
alguns casos, há a necessidade de irrigação artificial para o
estabelecimento e desenvolvimento da planta forrageira.
Do ponto de vista
de origem dentro de uma região, podemos classificar as
pastagens como "naturais" e "artificiais ou cultivadas".

As primeiras constituem o campo nativo onde a composição das
espécies forrageiras são próprias do lugar, resultado da
interação solo/clima. Geralmente, um campo nativo compreende
uma grande quantidade de plantas diferentes, não sendo raro
encontrar mais de 20 espécies sem intervenção direta do homem.
Entre as famílias mais importantes destacam-se as gramíneas e
leguminosas.
Pastagens
artificiais ou cultivadas:
São formadas por espécies forâneas,
previamente selecionadas para serem introduzidas em uma região
com condições similares de solo e clima do local de origem.
Neste tipo de pastagens, onde também as famílias de gramíneas
e leguminosas apresentam as espécies de maior valor, é
decisiva a influência do homem, desde a seleção até à
implantação e manejo da cultura forrageira. As pastagens
nativas se confundem com a própria origem e evolução da
espécie eqüina - até a aparição do homem - e sua domesticação.
Em condições de vida selvagem o
cavalo dispunha de áreas extensas e pastagens de variadas
composições que ofereciam todas as condições para a
sobrevivência da espécie, podendo mudar de região, de acordo
com a diminuição das pastagens. Com a domesticação da espécie,
o cavalo viu-se privado da ação migratória, ficando confinado
em áreas definidas e vendo seus requerimentos nutritivos
incrementados pela pressão seletiva a que foi submetido. Como
conseqüência, as pastagens nativas de escasso valor nutritivo
e fracas características agrostológicas (produção, resistência
ao pisoteio, pastoreio, etc.) foram sendo substituídas por
culturas de pastos ou pastagens cultivadas, objetivando
aumentar a potencialidade qualiTativa e quantitativa das
pastagens.
No relativo à vida da planta
forrageira, podemos dividir tanto as gramíneas como as
leguminosas em espécies de ciclo anual e espécies perenes. Em
relação à forma de plantio podemos considerar duas opções:
■
PLANTIO
SINGULAR
- São pastagens
constituídas de uma só espécie forrageira, como por exemplo o
capim Coast cross.
■
PLANTIO
CONSORCIADO
- São pastagens
formadas a partir de uma mistura de diferentes espécies
forrageiras, onde se procura elevar o valor nutritivo, a
disponibilidade
no
período anual de pastoreio, a resistência a pragas e doenças,
produção, etc. Como exemplo temos o Azevém, Trevo branco e o
Cornichão. Neste tipo de pastagens é vital conhecer as
características e necessidades de cada espécie, em particular
o seu comportamento na mistura, sendo fundamental avaliar a
palatabilidade, capacidade competitiva, resistência ao
pastoreio, época de produção, hábito de crescimento etc, a fim
de permitir um manejo correto e condições de perenidade.
Gramíneas
perenes:
■
AZEVÉM
PERENE
[Lollium
perene]
"Rai-grass perene" - Teve
sua origem no mediterrâneo, deslocando-se logo para a
Inglaterra, onde apresenta as primeiras citações
bibliográficas no século XVII.
Considerada uma das melhores forrageiras de clima temperado
frio, é exigente em solos, relacionando a sua produção e
perenidade a solos férteis. Prefere o clima oceânico, sem
grandes extremos de temperatura, ao continental, com verões
quentes aos quais não resiste. E o protótipo da pastagem de
qualidade com elevado valor nutritivo, palatabilidade e
digestibilidade, sendo extremamente eficiente no uso de
nitrogênio. Como característica agrostológica apresenta
formação em touceiras, muito perfilhador e agressivo, cobrindo
bem o solo.
A melhor época para semeadura é de fins de
fevereiro até maio. A densidade do plantio singular é de 30
kg/ ha, a lanço ou em linhas com uma profundidade do plantio
de 1
a 2 cm.
A quantidade média de sementes por quilograma é de 450 mil,
exigindo-se um
padrão mínimo de 95% de pureza
e 75% de germinação, com seu ciclo
de produção de julho a novembro e obtendo-se
cerca de quatro a seis toneladas de matérias seca por ha.
Consórcio bem com o capim Lanudo, a Cebadilha e o Dactylis,
entre as gramíneas, e com o Trevo branco, o Cornichão e o
Trevo vermelho, entre as leguminosas.
■
FALARIS
[Phalaris
tuberosa
-
P. aquática) - Tem
como origem a região do mediterrâneo, norte da África e sul da
Europa. Exigente em fertilidade de solo é, no entanto,
bastante resistente a secas e geadas. Seu hábito de
crescimento é cespitoso, muito vigoroso. Possui um sistema
radicular frágil na germinação, fortalecendo-se na planta
adulta. Com o ciclo produtivo no outono - inverno - primavera,
oferece uma ferragem muito palatável e nutritiva. A época de
semeadura vai de março a maio e, a colheita, em setembro. Para
o cultivo singular é necessário de 15 a 20kg, a lanço ou em
linhas; o plantio deve ser superficial, seguido da passagem de
um rolo compactador. A quantidade média de sementes por quilograma
é de 750 mil, com uma pureza de 95% e 50% de germinação; o
rendimento médio de matéria seca é de 6 a 8 toneladas por ha.
A
Fabris consórcio bem com Azevém, Dactylis, Trevo branco e
Cornichão e os melhores cultivos são os El Gaúcho,
Siroco e Tam Wintergreen.
■
PASTO
OVILHO
{Dactylis
glomerata) -
Se originou na Inglaterra e foi trazido para a
América do Sul, introduzido primeiramente no Chile e na
Argentina; hoje, já existem cultivares adaptados no Rio Grande
do Sul. Exige solos férteis, úmidos, suporta os ácidos e
alcalinos. Sob o ponto de vista de quantidade é inferior ao
Azevém e ao Blue grass, com menor digestibilidade. Apesar
disso, consorcia-se muito bem com eles, inclusive com Alfaia
de pastoreiro, pela sua capacidade de vegetar na sombra.
Entretanto, apresenta problemas fitossanitários que afetam seu
rendimento como a
Escolecotrichum
e
Puccinia.
A
produção de matéria seca/ano e é muito variável, de duas a
três toneladas por ha.
Seu
plantio é em março-maio, numa média de 1 8-20 kg de sementes.
Consorcia-se bem com Azevém, Fabris, Trevo branco, Alfafa e
Cornichão. As variedades do Pasto ovilho são "Prairal", "Prius"
e "Floreal".
■
BLUE GRASS
(Poa pratensis)
- É o famoso pasto azul de Kentucky, uma das
maiores regiões criatórias de cavalo do mundo. Gramínea
cespitosa de extrema agressividade, cobre totalmente a
superfície, o que dificulta as consorciações. Produz uma
pastagem tenra e palatável, com abundância de folhas finas.
Resistente ao frio e umidade é, no entanto, muito exigente em
fertilidade e não suporta solos ácidos. Planta-se de março a
outubro è, para o cultivo singular, são necessários de
15
a 20 kg de sementes por ha.
A variedade de maiores possibilidades de
adaptação no País é o
Adelphi
. O Blue grass
consorcia-se com os Dactylis e Trevo branco e o comportamento
da consorciação depende do manejo.
■ FESTUCA
[Festuca arundinacea) -
E uma forrageira de
ciclo outono - inverno - primavera, hábito de crescimento
cespitoso. Apresenta bom perfilamento e excelente estrutura
radicular, podendo chegar até dois metros de profundidade, o
que lhe dá grande resistência à seca. Suporta pastoreio e
pisoteio e, no entanto, o valor nutritivo e a digestibilidade
são inferiores ao Azevém e ao Blue grass. O plantio se realiza
de março a setembro com 12 a 15 kg de sementes em cultura
singular: o quilograma apresenta 450 mil sementes, tendo como
padrão mínimo 90% de pureza e 75% de germinação.
O
ciclo de produção ocorre de abril a dezembro com uma média de
seis a oito toneladas de matéria por dia. Seu consórcio ideal
é com Alfafa de pastoreiro, Trevo branco, Cornichão, Azevém e
Dactylis. Suas variedades são "Kentucky 31" "Dometer" e
"Alta".
Existem citações de que a Fetusca possui toxidez em cultura
singular, provocando nas éguas falta de produção láctea e
abortos. Entretanto, nos Estados Unidos foi selecionada uma
variedade não-tóxica, a "Kenhy".
Leguminosas perenes:
■
TREVO
BRANCO [Trifolium repens) -
É uma forrageira de
hábito prostado estolonífero. Produz nos meses de outono -
inverno e na primavera apresenta uma abundante massa vegetal
com elevado teor protéico e grande palatabilidade. Prefere
solos médios frescos e úmidos de alta fertilidade, não
tolerando a acidez. A época ideal de semeadura é de março a
maio; em cultivo singular se utilizam 3kg/ha que devem ser
inoculados com o
Rhizobium
específico a fim de
possibilitar a fixação de nitrogênio do ar até 200kg de
nitrogênio/ha/ano.
Apresenta 1,6 milhão de sementes,
sendo que o padrão
mínimo exige 95% de pureza e 80% de germinação. No pastejo a
melhor maneira de aproveitamento é o consorciamento com
gramí-neas para evitar problemas de timpanismo no animal.
O
valor protéico da planta nova chega até 25%, e no ponto de
feno de 18-22%. Além disso é rico em cálcio e fósforo,
apresentando altos teores de vitaminas do complexo B e 900
partes por milhão de caroteno ("pró-vitamina A"). Sua
digestibilidade é de 80%. Consorcia-se bem com Azevérn-Lanudo,
Dactylis, Cornichão, e Alfafa Cevadilha.
As melhores variedades são "Regai", "Ladino",
"Bagé" e "Califórnia".
■
CORNICHÃO
(Lotus comiculares) -
É originário da Europa. De características
herbáceas e porte ereto, podendo chegar a 60cm de altura.
Bastante rústico, de ótima palatabilidade, elevado valor
nutritivo, rico em proteínas, vitaminas e sais minerais. Se
adapta bem a solos arenosos, argilosos, preferindo os de
textura média sempre bem providos de matéria orgânica.
No
relativo à pH, tolera até 5,5. E resistente a geadas e a
secas, vegetando durante quase todo o ano, com declínio em
pleno verão, e no inverno; sua produção alcança de 15 a 20
toneladas de matéria verde por ha/ano.
Com
relação à semeadura apresenta duas épocas: março até maio e
setembro a outubro.
Em
plantio singular se utilizam de 10 a 12kg/ha, necessitando uma
boa cama de semeadura, bem destorroada e firme, devido ao
tamanho da semente. O plantio pode ser a lanço ou em linhas,
seguido da passagem de rolo compactador. O quilograma de
sementes apresenta 780 mil, sendo que o padrão mínimo exigido
é de 95% de pureza e 65% de germinação.
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