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Pastos de clima Temperado

Por Eng. Agr. Ricardo Adrián Muradas

As espécies e variedades que correspondem a este grupo , apresentam-se como base do esquema de pastoreio dos estados sulinos Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Não obstante alguns microclimas do estado de São Paulo (Atibaia, Ibiúna, Cotia, Guararema, Campos de Jordão), as regiões serranas do estado do Rio de Janeiro (Petrópolis, Friburgo e Teresópolis) também apresentam condições para o cultivo destas ferragens, sendo que, em alguns casos, há a necessi­dade de irrigação artificial para o estabelecimento e desenvolvimento da planta forrageira.

Do ponto de vista de origem dentro de uma região, podemos classificar as pastagens como "naturais" e "artificiais ou cultivadas".

 

 

       As primeiras constituem o campo na­tivo onde a composição das espécies forrageiras são próprias do lugar, re­sultado da interação solo/clima. Geralmente, um campo nativo compreende uma grande quantidade de plantas diferentes, não sendo raro encontrar mais de 20 espécies sem intervenção direta do homem. Entre as famílias mais importantes destacam-se as gramíneas e leguminosas.

 

 

 

Pastagens artificiais ou cultivadas:

 

São formadas por espécies forâneas, previamente selecionadas para serem introduzidas em uma região com condições similares de solo e clima do local de origem. Neste tipo de pastagens, onde também as famílias de gramíneas e leguminosas apresentam as espécies de maior valor, é decisiva a influência do homem, desde a seleção até à implantação e manejo da cultura forrageira. As pastagens nativas se confundem com a própria origem e evolução da espécie eqüina - até a aparição do homem - e sua domesticação.

Em condições de vida selvagem o cavalo dispunha de áreas extensas e pastagens de variadas composições que ofereciam todas as condições para a sobrevivência da espécie, podendo mudar de região, de acordo com a diminuição das pastagens. Com a domesticação da espécie, o cavalo viu-se privado da ação migratória, ficando confinado em áreas definidas e vendo seus requerimentos nutritivos incrementados pela pressão seletiva a que foi submetido. Como conseqüência, as pastagens nativas de escasso valor nutritivo e fracas características agrostológicas (produção, resistência ao pisoteio, pastoreio, etc.) foram sendo substituídas por culturas de pastos ou pastagens cultivadas, objetivando aumentar a potencialidade qualiTativa e quantitativa das pastagens.

No relativo à vida da planta forra­geira, podemos dividir tanto as gramíneas como as leguminosas em espécies de ciclo anual e espécies perenes. Em relação à forma de plantio podemos considerar duas opções:

           PLANTIO SINGULAR - São pastagens constituídas de uma só espécie forrageira, como por exemplo o capim Coast cross.

           PLANTIO CONSORCIADO - São pasta­gens formadas a partir de uma mistura de diferentes espécies forrageiras, onde se procura elevar o valor nutritivo, a disponibilidade no período anual de pastoreio, a resistência a pragas e doenças, produção, etc. Como exemplo temos o Azevém, Trevo branco e o Cornichão. Neste tipo de pastagens é vital conhecer as características e necessidades de cada espécie, em particular o seu comportamento na mistura, sendo fundamental avaliar a palatabilidade, capacidade competitiva, resistência ao pastoreio, época de produção, hábito de crescimento etc, a fim de permitir um manejo correto e condições de perenidade.

 

 

 

Gramíneas perenes:

 

           AZEVÉM PERENE [Lollium perene] "Rai-grass perene" - Teve sua origem no mediterrâneo, deslocando-se logo para a Inglaterra, onde apresenta as primeiras citações bibliográficas no século XVII. Considerada uma das melhores forra­geiras de clima temperado frio, é exigente em solos, relacionando a sua produção e perenidade a solos férteis. Prefere o clima oceânico, sem grandes extremos de temperatura, ao continental, com verões quentes aos quais não resiste. E o protótipo da pastagem de qualidade com elevado valor nutritivo, palatabilidade e digestibilidade, sendo extremamente eficiente no uso de nitrogênio. Como característica agrostológica apresenta formação em touceiras, muito perfilhador e agressivo, cobrindo bem o solo.

A melhor época para semeadura é de fins de fevereiro até maio. A densidade do plantio singular é de 30 kg/ ha, a lanço ou em linhas com uma profundidade do plantio de 1 a 2 cm. A quantidade média de sementes por quilograma é de 450 mil, exigindo-se um padrão mínimo de 95% de pureza e 75% de germinação, com seu ciclo de produção de julho a novembro e obtendo-se cerca de quatro a seis toneladas de matérias seca por ha. Consórcio bem com o capim Lanudo, a Cebadilha e o Dactylis, entre as gramíneas, e com o Trevo branco, o Cornichão e o Trevo vermelho, entre as leguminosas.

           FALARIS [Phalaris tuberosa - P. aquáti­ca) - Tem como origem a região do mediterrâneo, norte da África e sul da Europa. Exigente em fertilidade de solo é, no entanto, bastante resistente a secas e geadas. Seu hábito de crescimento é cespitoso, muito vigoroso. Possui um sistema radicular frágil na germinação, fortalecendo-se na planta adulta. Com o ciclo produtivo no outono - inverno - primavera, oferece uma ferragem muito palatável e nutritiva. A época de semeadura vai de março a maio e, a colheita, em setembro. Para o cultivo singular é necessário de 15 a 20kg, a lanço ou em linhas; o plantio deve ser superficial, seguido da passagem de um rolo compactador. A quantidade média de sementes por quilograma é de 750 mil, com uma pure­za de 95% e 50% de germinação; o rendimento médio de matéria seca é de 6 a 8 toneladas por ha.

A Fabris consórcio bem com Azevém, Dactylis, Trevo branco e Cornichão e os melhores cultivos são os El Gaúcho, Siroco e Tam Wintergreen.

           PASTO OVILHO {Dactylis glomerata) - Se originou na Inglaterra e foi trazido para a América do Sul, introduzido primeiramente no Chile e na Argentina; hoje, já existem cultivares adaptados no Rio Grande do Sul. Exige solos férteis, úmidos, suporta os ácidos e alcalinos. Sob o ponto de vista de quantidade é inferior ao Azevém e ao Blue grass, com menor digestibilidade. Apesar disso, consorcia-se muito bem com eles, inclusive com Alfaia de pastoreiro, pela sua capacidade de vegetar na sombra. Entretanto, apresenta problemas fitossanitários que afetam seu rendimento como a Escolecotrichum e Puccinia.

A produção de matéria seca/ano e é muito variável, de duas a três tone­ladas por ha.

Seu plantio é em março-maio, numa média de 1 8-20 kg de sementes. Con­sorcia-se bem com Azevém, Fabris, Tre­vo branco, Alfafa e Cornichão. As vari­edades do Pasto ovilho são "Prairal", "Prius" e "Floreal".

           BLUE GRASS (Poa pratensis) - É o famoso pasto azul de Kentucky, uma das maiores regiões criatórias de cavalo do mundo. Gramínea cespitosa de extrema agressividade, cobre totalmente a superfície, o que dificulta as consorciações. Produz uma pastagem tenra e palatável, com abundância de folhas finas. Resistente ao frio e umidade é, no entanto, muito exigente em fertilidade e não suporta solos ácidos. Planta-se de março a outubro è, para o cultivo singular, são necessários de 15 a 20 kg de sementes por ha.

A variedade de maiores possibilidades de adaptação no País é o Adelphi . O Blue grass consorcia-se com os Dactylis e Trevo branco e o comportamento da consorciação depende do manejo.

          FESTUCA [Festuca arundinacea) - E uma forrageira de ciclo outono - inverno - primavera, hábito de crescimento cespitoso. Apresenta bom perfilamento e excelente estrutura radicular, podendo chegar até dois metros de profundidade, o que lhe dá grande resistência à seca. Suporta pastoreio e pisoteio e, no entanto, o valor nutritivo e a digestibilidade são inferiores ao Azevém e ao Blue grass. O plantio se realiza de março a setembro com 12 a 15 kg de sementes em cultura singular: o quilograma apresenta 450 mil sementes, tendo como padrão mínimo 90% de pureza e 75% de germinação.

O ciclo de produção ocorre de abril a dezembro com uma média de seis a oito toneladas de matéria por dia. Seu consórcio ideal é com Alfafa de pastoreiro, Trevo branco, Cornichão, Azevém e Dactylis. Suas variedades são "Kentucky 31" "Dometer" e "Alta".

Existem citações de que a Fetusca possui toxidez em cultura singular, provocando nas éguas falta de produção láctea e abortos. Entretanto, nos Estados Unidos foi selecionada uma variedade não-tóxica, a "Kenhy".

 

 

 

Leguminosas perenes:

 

        TREVO BRANCO [Trifolium repens) - É uma forrageira de hábito prostado estolonífero. Produz nos meses de outono - inverno e na primavera apresenta uma abundante massa vegetal com elevado teor protéico e grande palatabilidade. Prefere solos médios frescos e úmidos de alta fertilidade, não tolerando a acidez. A época ideal de semeadura é de março a maio; em cultivo singular se utilizam 3kg/ha que devem ser inoculados com o Rhizobium específico a fim de possibilitar a fixação de nitrogênio do ar até 200kg de nitrogênio/ha/ano.

Apresenta 1,6 milhão de sementes, sendo que o padrão mínimo exige 95% de pureza e 80% de germinação. No pastejo a melhor maneira de aproveitamento é o consorciamento com gramí-neas para evitar problemas de timpanismo no animal.

O valor protéico da planta nova chega até 25%, e no ponto de feno de 18-22%. Além disso é rico em cálcio e fósforo, apresentando altos teores de vitaminas do complexo B e 900 partes por milhão de caroteno ("pró-vitamina A"). Sua digestibilidade é de 80%. Consorcia-se bem com Azevérn-Lanudo, Dactylis, Cornichão, e Alfafa Cevadilha.

As melhores variedades são "Regai", "Ladino", "Bagé" e "Califórnia".

■         CORNICHÃO (Lotus comiculares) - É originário da Europa. De características herbáceas e porte ereto, podendo chegar a 60cm de altura. Bastante rústico, de ótima palatabilidade, elevado valor nutritivo, rico em proteínas, vitaminas e sais minerais. Se adapta bem a solos arenosos, argilosos, preferindo os de textura média sempre bem providos de ma­téria orgânica.

No relativo à pH, tolera até 5,5. E resistente a geadas e a secas, vegetando durante quase todo o ano, com declínio em pleno verão, e no inverno; sua produção alcança de 15 a 20 toneladas de matéria verde por ha/ano.

Com relação à semeadura apresenta duas épocas: março até maio e setembro a outubro.

Em plantio singular se utilizam de 10 a 12kg/ha, necessitando uma boa cama de semeadura, bem destorroada e firme, devido ao tamanho da semente. O plantio pode ser a lanço ou em linhas, seguido da passagem de rolo compactador. O quilograma de sementes apresenta 780 mil, sendo que o padrão mínimo exigido é de 95% de pure­za e 65% de germinação.

 

 

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